Qualidade tipo Exportação

Luiz Malatesta: cachaça de alta qualidade, produzida em Itabira, é reconhecida no mundo

Filho e neto de fabricantes de cachaça, o aposentado e hoje empresário, Luiz Guilherme Malatesta, colocou seu potencial empreendedor em prática depois dos 50 anos, quando já havia concluído sua carreira na área da mineração. Natural de Matias Barbosa, Zona da Mata, desde 1975 ele mora em Itabira e a partir de 2001 começou a produzir a cachaça Luiz Malatesta, atualmente reconhecida até no exterior. Luiz conta que começou a fabricar o produto para saborear em casa mesmo, com os amigos, mas o resultado foi tão bom que a comercialização se tornou inevitável.
 
Todo o mercado que a marca conquistou é resultado de um único quesito, segundo o empresário: a qualidade. Quando recebeu a reportagem em sua propriedade, próxima ao parque do Itabiruçu, região rural da cidade, Luiz narrou que o segredo de se produzir uma boa cachaça começa na preparação do terreno, passa pela escolha criteriosa das mudas de cana-de-açúcar e termina no processo de produção em si – que é todo supervisionado por ele. “Quando comecei a fazer pinga, procurei desenvolver a melhor e dar prosseguimento à tradição de família”, comentou. Para isso, o produtor comprou equipamentos de primeira linha e uniu a experiência acumulada no ramo às inovações técnicas e apoio profissional.
 
A capacidade de produção da fábrica é de 60 mil litros de bebida por ano (ou por safra), mas em geral, são produzidos 12 mil. O objetivo é manter a qualidade sem se preocupar com a quantidade. Entre os principais estados e países que já experimentaram a produção itabirana estão São Paulo, Santa Catarina, França e Estados Unidos. Geralmente são turistas que passam por aqui e compram para levar de presente para conhecidos ou parentes.
 
TUDO NATURAL — Enquanto apresentava os equipamentos, Luiz Guilherme mostrava, de maneira muito divertida, detalhes do procedimento como moagem, filtragem do caldo da cana, homogeneização, fermentação e destilação. No processo de produção da Malatesta, tudo é natural, incluindo o fermento, considerado o segredo para uma boa bebida, que é feito de milho lá mesmo. Nem os resíduos são descartados: o vinhoto e o bagaço são utilizados como fertilização natural e voltam para o terreno de 10 hectares onde é plantada a cana para manter o potencial de cultivo.
 
Depois de pronta, a pinga é transferida para os 81 barris de carvalho e as diversas dornas de inox onde permanece por, no mínimo, seis meses para descanso. Para provar que a qualidade é realmente boa, em todas as safras são feitas análises laboratoriais que verificam todos os componentes do produto. Depois é só degustar o sabor natural, que leva 44% de teor alcoólico. Com base nos diversos cursos que já fez, o produtor ressalta que “não há outra bebida melhor” e revela: “não dá prejuízo de jeito nenhum”.