“Quase não retorno para casa”. Enfermeira que contraiu Covid-19 faz apelo para que itabiranos se vacinem
Mais de 20 mil estão com a segunda dose atrasada

No dia 26 de agosto deste ano, o prefeito de Itabira, Marco Antônio Lage, fez um anúncio preocupante. À época, o chefe do executivo municipal afirmou que mais de 10 mil itabiranos não haviam retornado para tomar a segunda dose da vacina contra a Covid-19. Naquele momento, apenas 25 dos 36 mil aptos a se imunizarem completamente contra o coronavírus haviam o feito.
Quatro meses depois, a situação é ainda pior. Dados do setor epidemiológico da Prefeitura dão conta de que 20.233 itabiranos estavam com a segunda dose atrasada até a última terça-feira (21). Havia o risco, inclusive, de aproximadamente 250 doses vencerem nos últimos dias, mas a Secretaria de Saúde afirma ter conseguido utilizá-las a tempo.
Supervisora do drive-thru da Prefeitura, a enfermeira Andréia Gazeta se diz bastante preocupada com a situação. Segundo ela, o atraso não ocorre por falta de vacinas.
“Não é falta de vacina. Nós temos a vacina para aquela estimativa que é divulgada previamente , mas a gente vê que ainda tem uma baixa adesão das pessoas. Algumas por questões pessoais, outras por questões diferentes. E isso nos preocupa muito, porque no cenário atual o que deveria ser propagado é a empatia, se colocar no lugar do outro. É um cuidado específico para a pessoa e a comunidade em si”, comenta.
De acordo com a profissional de saúde, já houve dias em que foram administradas 1000 doses nos drive-thrus da cidade. Cenário muito diferente do que é visto hoje.
“Já tivemos dias em que foram administradas 1000 doses da vacina, tanto na Funcesi quanto aqui (Prefeitura), e isso é um avanço muito grande. Mas, para isso, precisamos que a população se conscientize e contagie entre si a propagação do bem que é a vacina”.
“Um exemplo: na sexta-feira a gente receberia umas 680 pessoas. Porém, o que passou por aqui não chegou a 200. Hoje meu turno termina às 13h30. Fizemos em torno de 130, 140 doses. Isso é muito pouco”.

Sentiu na pele
Andréia Gazeta fala sobre o tema com a experiência de quem trabalha na área há mais de 20 anos e, também, de quem foi infectada pelo coronavírus. Por conta da Covid-19, ela chegou a ser internada em uma UTI em setembro do ano passado. Para a enfermeira, caso estivesse vacinada, a história poderia ter sido outra.
“Fui acometida pela Covid-19 durante meu trabalho na unidade hospitalar em setembro de 2020, e tive uma complicação muito grave. Com necessidade de UTI, internação prolongada, sequela pós-covid, foi um impacto muito grande na minha vida social, profissional e familiar. Ou seja, quase não retorno para minha casa e para meus entes queridos. Se tivesse a vacina, eu tenho certeza que teria diminuído esse impacto, poderia ter os sintomas de maneira mais leve”, relata.
Contra dados não há argumentos
Se o apelo emocional não funcionar, os números talvez convençam. Desde o avanço da vacinação, a quantidade de mortes e internações por Covid-19 em Itabira diminuiu drasticamente. Entre 15 de outubro e 26 de novembro, a cidade chegou a ficar um mês e meio sem registro de óbitos pela doença. A enfermeira supervisora do drive-thru fala sobre isso.
“Contra dados e estatísticas não há questionamentos. Com o avançar da vacinação, houve uma baixa significativa de óbitos, internações, de complicações da doença com necessidade de internação na UTI. Muitas famílias vão poder passar o Natal juntas através da vacinação em dia, de uma vacinação efetiva, de seguir o protocolo. Porém, muitas pessoas não aderem a isso, colocando em risco outras vidas”.
Outras alternativas
Questionada se a Prefeitura pensa em outras alternativas para a aplicação das vacinas, Andréia afirma já haver meios suficientes para que a população seja totalmente imunizada. Ela ainda acrescenta que muitos estão se dirigindo aos postos de vacinação por serem obrigados pelas empresas em que trabalham.
“(O setor de Saúde) Tem facilitado (a imunização). Tem os PSF’s que fazem agendamento, os drives que funcionam. Dependendo do público estimado, são dois drives que funcionam, então há meios de buscar. Mas o que nos preocupa é que, nos últimos meses e dias, as pessoas têm nos procurado pelo fato das empresas estarem obrigando, e não por vontade própria”.
“O calendário tem sido divulgado. Mas da mesma forma que vem a comunicação exercendo seu trabalho de divulgação, também vem aquela divulgação que se propaga, boca a boca, entre os usuários, de não adesão. Dependendo do sintoma relatado por um usuário, outro já não quer aderir e por medo também pode se ausentar”, completa.
Ômicron
E se o atraso, por si só, já é preocupante, tudo se torna ainda pior com o surgimento da Ômicron, apesar de Itabira ainda não ter notificado casos da nova variante. Andréia também coloca no “pacote” as festas de fim de ano, cenário propício ao aumento dos casos da Covid-19.
“O surgimento da Ômicron torna, sim, o cenário mais preocupante. Principalmente agora, chegando nas épocas festivas, então isso nos preocupa muito. Uma pessoa não vacinada, uma pessoa que pode estar desenvolvendo o vírus, principalmente com essa mutação, pode estar ocasionando outras pessoas a estarem expostas a um agravamento maior”, diz a profissional da saúde.




