Quem eram os três militares mortos na queda de avião da PM no Vale do Aço

Vítimas atuavam na aviação da Polícia Militar; tenente-coronel tinha mais de 5 mil horas de voo e tenente Gabriela Emília foi a primeira mulher da corporação habilitada a pilotar aviões

Quem eram os três militares mortos na queda de avião da PM no Vale do Aço
A primeira-tenente Alice Almeida também atuava como piloto da Polícia Militar de Minas Gerais. Foto: Reprodução/Redes Sociais

Os três militares que morreram na queda de uma aeronave da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG), nesta sexta-feira (9), tinham trajetórias dedicadas à segurança pública e à aviação policial. As vítimas são o tenente-coronel Luis Silvestre, de 49 anos, e as primeiras-tenentes Gabriela Emília Soares Lacerda Resende e Alice Almeida, ambas na faixa dos 33 aos 34 anos.

O acidente ocorreu nas proximidades do Aeroporto Regional do Vale do Aço, em Santana do Paraíso, no Leste de Minas Gerais. Os três estavam a bordo do Pegasus 17, aeronave que havia saído de Belo Horizonte para um voo de rechecagem de habilitação dos pilotos. As circunstâncias da queda serão investigadas pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa).

O tenente-coronel Luis Silvestre integrava a PMMG desde 2004 e comandava o Esquadrão de Aviões do Comando de Aviação do Estado (ComAvE). Com mais de 5 mil horas de voo, era reconhecido pela experiência na aviação de segurança pública e atuava em diferentes frentes da estrutura aeronáutica da corporação. Entre suas atribuições estavam operações aéreas especiais, ensino e treinamento de pilotos, manutenção de aeronaves, logística de abastecimento e liderança de equipes. 

Segundo o diretor de Comunicação Organizacional da PMMG, coronel Flávio Santiago, Silvestre era o instrutor de voo mais experiente da instituição. Era ele quem conduzia a atividade de rechecagem de habilitação realizada na sexta-feira. O procedimento é necessário para avaliar as condições técnicas dos pilotos e confirmar que estão aptos a continuar operando as aeronaves.

Durante a coletiva sobre o acidente, Flávio Santiago ressaltou a contribuição do oficial para a corporação e para as missões realizadas pela aviação policial, incluindo operações de salvamento e transporte de órgãos destinados a transplantes. Silvestre deixou a esposa e três filhos.

Gabriela Emília foi pioneira na aviação da PMMG

A primeira-tenente Gabriela Emília Soares Lacerda Resende construiu uma trajetória que marcou a presença feminina na aviação da Polícia Militar mineira. Ela foi a primeira mulher da corporação habilitada como piloto de aeronaves de asas fixas do Comando de Aviação do Estado. Gabriela ingressou na PMMG em fevereiro de 2017 e foi declarada oficial em 2019. Ao longo da carreira, trabalhou no 34º Batalhão de Polícia Militar, em Belo Horizonte, como comandante de setor, e atuou por dois anos no Comando Tático Móvel do 41º Batalhão, também na capital. Antes de se tornar piloto, exerceu ainda funções administrativas.

A habilitação como piloto da corporação foi concluída em 23 de fevereiro de 2026. Na nova função, passou a integrar a equipe responsável por missões aéreas, atividade que inclui o apoio a operações policiais e o transporte de órgãos para transplantes.

A militar havia retornado recentemente da licença-maternidade. Na véspera do acidente, a PMMG publicou uma homenagem nas redes sociais que mostrava Gabriela se despedindo do filho antes de voltar a voar. A publicação destacou a conciliação entre a maternidade, a carreira policial e a atuação como piloto.

Na coletiva desta sexta-feira, Flávio Santiago também mencionou que a tenente tinha filhos pequenos. A morte da militar interrompeu uma trajetória profissional que havia alcançado um marco na história da aviação da PMMG.

Alice Almeida serviu no Corpo de Bombeiros antes de ingressar na PM

A primeira-tenente Alice Almeida também atuava como piloto da Polícia Militar de Minas Gerais. Antes de ingressar na corporação, ela serviu durante sete anos no Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais (CBMMG).

Natural de Governador Valadares, no Vale do Rio Doce, Alice cresceu em Caratinga. Depois de ingressar no oficialato da PMMG, participou do processo seletivo do Comando de Aviação do Estado e passou a integrar a equipe de pilotos.

Sua trajetória reuniu experiências em duas instituições estaduais de segurança pública, antes de chegar à aviação policial, área que exige preparação técnica específica e treinamento para diferentes tipos de missão. Segundo as informações apresentadas durante a coletiva da PMMG, Alice não tinha filhos.

PMMG presta assistência aos familiares

Durante a entrevista coletiva, o coronel Flávio Santiago informou que a Polícia Militar mobilizou uma força-tarefa para prestar acolhimento psicológico e assistência aos familiares das três vítimas. A comandante-geral da corporação, coronel Cleide Barcelos dos Reis Rodrigues, e o chefe do Estado-Maior, coronel Sandro Vieira Corrêa, acompanhavam os procedimentos relacionados à ocorrência.

O diretor de Comunicação Organizacional também destacou o papel desempenhado pela aviação policial em operações de apoio às equipes em terra, salvamentos e transporte de órgãos para transplantes. Segundo ele, a atuação dessas equipes já contribuiu para mais de 2 mil transplantes.

Emocionado, Santiago afirmou que a corporação estava de luto e pediu cautela diante das informações sobre as causas do acidente. A investigação deverá esclarecer as circunstâncias da queda do Pegasus 17, enquanto a PMMG concentra esforços no apoio aos familiares dos três militares.