Saae busca minimizar perdas e o próprio desperdício de água em Itabira

O alto índice de perda da água que é produzida em Itabira é um problema histórico para o Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae). Os números englobam tanto o que consumidores deixam de pagar devido a falhas na mensuração quanto o desperdício em redes da própria companhia.  Na cidade, o percentual sempre esteve acima […]

Saae busca minimizar perdas e o próprio desperdício de água em Itabira
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O alto índice de perda da água que é produzida em Itabira é um problema histórico para o Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae). Os números englobam tanto o que consumidores deixam de pagar devido a falhas na mensuração quanto o desperdício em redes da própria companhia.  Na cidade, o percentual sempre esteve acima de limites tolerados pela agência reguladora (Arsae), mas, desde 2017, a atual gestão tem buscado executar ações para chegar ao fim do ano que vem com um índice abaixo da média.

Segundo o diretor-presidente do Saae, Leonardo Lopes, as perdas são divididas em dois modelos: aparente e real. A perda aparente é a comercial. É a diferença entre o que o Saae entrega aos domicílios e o que é pago pelos consumidores. A falha acontece sobretudo por causa da desatualização dos hidrômetros, que deveriam ser trocados a cada cinco anos. Já a perda real é o desperdício propriamente dito, a água produzida que vaza pelas próprias redes da autarquia.

“A questão das perdas é um problema crônico no saneamento básico. Não é só o Saae que sofre com isso. Qualquer companhia dessa área, no Brasil ou no exterior, trabalha com a missão de reduzir as perdas”, afirma Leonardo Lopes.

Índices

Em 2012, a Arsae estipulou para Itabira um limite tolerável de perdas de 37,6% ao ano. Desde essa determinação, porém, o Saae nunca havia conseguido, até 2017, atingir esse limite. De acordo com Leonardo, a atual gestão encontrou a autarquia com 47% de perdas, número superior não só ao indicado pela agência reguladora, mas também bem acima de grandes cidades, como Belo Horizonte, que mantém média de 38%.

Em 2017, o Saae alcançou 37,23% de perdas, percentual abaixo do limite imposto. No ano seguinte, a média ficou em 36,8%. Nos quatro primeiros meses de 2019, os índices chegaram a 34%. A projeção da autarquia é chegar a 2020 próximo aos 30%, para conseguir entregar o governo na casa dos 25% de perdas. Essa meta está incluída na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) apresentada na semana passada.  

Hidrômetros estão sendo substituídos em Itabira – Foto: Divulgação

Prejuízos financeiros e desperdício

Para baixar o índice de perdas, o Saae iniciou em 2017 uma campanha para substituição dos hidrômetros nas residências. A ação teve início em locais periféricos e zona rural. A partir deste mês de maio, chegará aos bairros mais populosos, com projeção de troca de até 12 mil equipamentos até dezembro.

“Teoricamente, se eu produzi 100, eu teria de vender 100. Seria a perda zero, mas, como o Saae de Itabira não teve uma política de troca permanente de hidrômetros, registra hoje uma perda comercial muito grande. A gente produz, as pessoas consomem e não pagam o valor devido pela falha da concessionária”, diz o diretor-presidente.

Para atacar o próprio desperdício, uma das ações foi a instalação de redutores de pressão em pelo menos 12 pontos da cidade. Esses equipamentos permitem ao Saae controlar a força da água nesses setores para que esteja na intensidade adequada da rede. Além disso, também foram instalados manômetros em outros dez pontos, que são conferidos uma vez por semana.

“Todo tubo suporta uma pressão ‘x’. Como a nossa cidade é de relevo acidentado, com muitos morros, a gente precisa gerar mais pressão ao fluido para que ele suba esses morros. Com isso, acaba-se trabalhando com uma pressão maior da que o tubo resiste. Ao colocar essas válvulas, é reduzida a pressão naquele ponto e é estabelecida a intensidade que o tubo resiste. Isso evita o rompimento”, explica Lopes.

Troca de redes é outra ação para evitar desperdícios de água – Foto: Acom PMI

Mais ações

Outra ação colocada em prática é a troca de redes. Em 2017, foi substituída toda a tubulação entre os bairros Caminho Novo e Praia. No ano passado, no bairro Hamilton. Em 2019, os trabalhos acontecem em um trecho de seis quilômetros que se estende do bairro Gianetti ao Major Lage de Cima.

Por fim, investimentos foram feitos na macromedição. É que, segundo o presidente do Saae, algumas estações da autarquia não tinham a medição adequada do que era produzido. Por meio de grandes hidrômetros, instalados em todas as unidades de Itabira e nos distritos, a companhia passou a aferir toda a produção.

“Quando você reduz perdas, você economiza energia elétrica, economiza hora/homem e economiza produto químico. E uma empresa sem fins lucrativos, como é o caso do Saae, ao economizar todos esses custos, consegue melhorar a prestação de serviço à população”, argumenta Leonardo, que ainda citou que com as economias já praticadas, o Saae conseguiu garantir a execução de três quilômetros de rede de esgoto no bairro Colina da Praia e comprar seis quilômetros de tubos de ferro fundido para a rede do anel hidráulico.