Saae faz “manobras” para evitar racionamento de água em Itabira

Diretores convocaram a imprensa para esclarecer a situação hídrica da cidade

Saae faz “manobras” para evitar racionamento de água em Itabira
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Diretores do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae) de Itabira concederam entrevista coletiva na tarde desta quarta-feira, 29 de julho, para falar da situação do abastecimento na cidade. O foco da entrevista foi o período de estiagem que o município atravessa, e que, mais uma vez, exigirá muito esforço da autarquia.
 
Segundo o diretor presidente do Saae, Jacir Primo, a empresa fará manobras para manter o abastecimento dos bairros atendidos pelo sistema da Pureza, que atende 55% da área urbana. Além de bombeamentos nos sistemas Gatos e Pureza para elevar o nível dos mananciais, Jacir informou que, antes de partir para o racionamento, a autarquia tentará equalizar a distribuição nos bairros afetados. “Quando o nível de um reservatório está muito baixo, somos obrigados a fechar o registro de distribuição de água. Assim que o reservatório consegue recarregar, a gente libera novamente a distribuição”, explicou.
 
Ainda segundo o diretor, alguns bairros podem ter o registro de sua parte baixa fechada para que a parte alta receba água. “É dessa forma que estamos tratando para que todo mundo consiga ter um pouquinho de água para passar o dia. Se essas manobras não surtirem efeito, aí sim vamos partir para o racionamento”, avisou.
 
Ele disse também que essa manobra é diferente do racionamento, que afeta mais a população. “Tudo passa por estudo. Levamos em consideração escolas, creches, hospitais. No caso dos hospitais é difícil faltar água, já que são atendidos pelo sistema de Três Fontes e pelo Campestre e Pará”, disse o diretor.
 
Produção de água
Com os dois sistemas superficiais de Itabira, Gatos e Pureza, o Saae consegue produzir cerca de 380 litros por segundo para abastecer toda a cidade, 70 a 80 litros por segundo a menos que o necessário atender população e indústria. Conforme estudos, a produção precisaria ser de 463 litros por segundo – e com a estiagem, a quantidade pode cair ainda mais.
 
Segundo informou Jacir, no sistema Gatos, que atende 15 bairros em Itabira, basta uma queda de 20% a 25% na produção para que seja necessário um bombeamento de emergência. A situação na Pureza é ainda pior. Basta uma redução de 15% a 20% no volume captado para que o bombeamento de emergência entre em funcionamento.
 
ETA Rio de Peixe
Com inauguração prevista para o início de setembro, a ETA Rio de Peixe abastecerá Itabira com 60 litros por segundo de água, mas há um problema de carga elétrica. Segundo Jacir, a rede da região está sobrecarregada, o que impossibilita a ligação de energia. A autarquia tem reuniões marcadas com a empresa de energia para sanar o problema.
 
Para tentar elevar o nível da Pureza, o Saae colocou um sifão na lagoa da Unifei para jogar um pouco de água para o manancial, mas como não choveu, a lagoa também abaixou o volume e a operação precisou ser interrompida. Diante disso, a autarquia está alugando um gerador para bombear água do Rio de Peixe para o sistema da Pureza, aumentando a vazão.
 
Com a ETA Rio de Peixe sendo entregue, o gerador será retirado do bombeamento de água bruta do referido rio e será usado para gerar energia para a ETA funcionar. “Vamos bombear água tratada para o sistema que é atendido pela Pureza, e com isso conseguimos equilibrar o outro lado da cidade”, explicou Jacir.