Saae voltará a fluoretar a água do município em 30 dias

Jacir Primo não deixou claro se é a favor ou contra a fluoretação

Saae voltará a fluoretar a água do município em 30 dias

O Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae) vai voltar a fluoretar a água que é distribuída para população de Itabira, num prazo máximo de 30 dias. O anúncio foi feito na tarde desta terça-feira, 12 de março, na sessão da Câmara, pelo diretor-presidente da autarquia municipal, Jacir Primo. 

Antes de anunciar a retomada da fluoretação, Jacir Primo disse ter feito um levantamento minucioso sobre as vantagens e desvantagens da aplicação de flúor na água que é distribuída no município.

Durante o uso da tribuna, o diretor-presidente fez uma apresentação – por meio de projeções – apontando as implicações da absorção do flúor pelo organismo. As fontes da pesquisa, entretanto, não foram claramente informadas.

As duas únicas vantagens divulgadas no levantamento foram de que a fluoretação reduz a cárie dentária em até 70%, e a um custo “inexpressivo”, conforme ressaltou o próprio diretor, que representa apenas 0,16% da receita bruta do Saae.

As demais informações, entretanto, apontaram que a absorção excessiva de flúor pelo organismo pode trazer sérias conseqüências para a saúde. A fluorose esquelética ou óssea e manchas esbranquiçadas nos dentes (principalmente em crianças de 0 a 5 anos), estão entre as principais.

Ainda segundo o relatório, a absorção é cumulativa, já que o organismo só elimina em torno de 50% do flúor absorvido. Outras duas alegações contrárias ao uso da substância e apontadas pelo estudo, foram de que “a fluoretação não é ética, porque viola o direito de haver consentimento médico”, e a de que o flúor “é um dos principais elementos usados na composição química de diversos tipos de veneno”.  

 

Em defesa da fluoretação

Em 1975, a Organização Mundial de Saúde (OMS) desenvolveu um programa para promoção da fluoretação de água de abastecimento de comunidades, como sendo um importante instrumento de prevenção, controle e redução da cárie, principalmente da população carente.

Na semana passada, o vereador Bernardo Mucida Oliveira (PSB), que defende a volta da fluoretação, distribuiu um informativo baseado no Manual de Fluoretação da Água para Consumo Humano, da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), que esclarece diversas dúvidas sobre a questão. Bernardo é o autor de uma indicação para que o serviço volte a ser prestado pela autarquia.

Em contrapartida, segundo o levantamento de Jacir Primo, a maior parte dos países da Europa e Ásia deixou de usar o flúor. Alemanha, França, Bélgica, Japão, Hungria e China, entre outros, já não fazem mais a fluoretação.  

Por razões que ainda não ficaram bem claras, e sem a concordância, ou não, das autoridades do município e da população – conforme destacou o vereador Bernardo Mucida –, o uso do flúor foi suspenso em junho do ano passado, pela administração anterior, “sem qualquer explicação ou justificativa”.