“Se tem um traído e um traidor, o traído é o prefeito e o traidor foi o vice-prefeito”, afirma Marco Antônio Lage
Chefe do Executivo itabirano afirma que relação com Marco Antônio Gomes era “de entendimento absoluto” e lamenta rompimento em meio a articulações eleitorais

Nesta quarta-feira (6), durante entrevista concedida ao jornalista Fernando Silva, durante o projeto “Estúdio DeFato – Caraça”, o prefeito de Itabira, Marco Antônio Lage (PSB), comentou sobre a relação com o vice-prefeito Marco Antônio Gomes (Podemos), que entrou em rota de colisão em meio às articulações políticas visando as eleições de 2026.
Durante a entrevista, Marco Antônio Lage afirmou não compreender a origem do conflito e classificou o momento como uma ruptura inesperada. “Eu estou até hoje sem entender, a verdade é essa, porque a minha relação com o Marco Gomes sempre foi muito positiva, a gente atravessou o primeiro mandato inteiro com uma relação muito próxima, muito amigável, de entendimento absoluto”, disse.
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Estopim político e disputa eleitoral
A tensão ganhou força após o prefeito de Itabira anunciar apoio à candidatura da primeira-dama, Raquell Guimarães, a deputada estadual. A manifestação pública gerou reação indireta no grupo político do vice, especialmente após a ausência de menção ao nome de Marco Antônio Gomes como pré-candidato a deputado federal.
Um áudio atribuído à esposa do vice-prefeito, Francisca Gomes, criticando o posicionamento do chefe do Executivo, circulou em grupos de WhatsApp. O próprio vice confirmou a autenticidade da gravação e reafirmou a intenção de manter sua candidatura.
Na entrevista, Marco Antônio Lage negou qualquer sinalização de rompimento inicial e explicou o contexto de sua fala: “Eu dei uma declaração manifestando o meu apoio à candidatura da primeira-dama à deputada estadual e apoiaria naturalmente o candidato Marco Gomes (…). É importante para Itabira ter um deputado estadual e ter um deputado federal”.
O prefeito também reforçou que não houve posicionamento contrário à pré-candidatura do vice: “Eu não mencionei nenhum outro candidato a deputado [federal] naquela entrevista. Eu não disse que ia apoiar fulano para federal. Então, o que poderia ser considerado uma traição? Eu simplesmente não mencionei a candidatura a deputado federal [do Marco Antônio Gomes] porque não fui perguntado sobre a candidatura a deputado federal”.
Acusações e leitura de articulação política
A crise se intensificou após a filiação de Marco Antônio Gomes ao partido Podemos, legenda ligada a um dos principais opositores do prefeito na Câmara Municipal, o vereador Luiz Carlos de Souza “de Ipoema”. Para Marco Antônio Lage, esses movimentos indicam articulação prévia.
“Aquele áudio da dona Francisca [Gomes] foi um áudio preparado, diferente de outros áudios emocionais que ela já passou em outras ocasiões, mas aquele foi um áudio elaborado pela política. Certamente produzido. E dois dias depois ele estava se filiando ao partido do meu principal opositor na Câmara Municipal. Então é tudo muito arranjado”, afirmou.
Em tom mais duro, o prefeito classificou o episódio como quebra de confiança dentro do grupo político:
“Então, se tem um traído e um traidor, o traído é o prefeito e o traidor foi o vice-prefeito, infelizmente. Eu falo isso com o coração magoado, porque gosto dele”.




