Segurança do metrô dá mata-leão em artista de rua; veja o vídeo

Golpe é proibido, no estado de São Paulo, em abordagens da Polícia Militar e da Guarda Civil Metropolitana (GCM) na capital paulista

Segurança do metrô dá mata-leão em artista de rua; veja o vídeo
Foto: Arquivo pessoal

Um segurança do metrô de São Paulo aplicou um golpe de estrangulamento, popularmente conhecido como mata-leão, ao realizar uma abordagem ao artista de rua Kevin Rodrigues. O caso aconteceu na estação Ana Rosa, na capital paulista, na última segunda-feira (31). ]

O vídeo com registros da ação começou a circular nas redes sociais nos últimos dia e mostra o momento em que outra artista de rua pede para que o segurança pare. Durante a ação dos seguranças, é possível ouvir Laura Gimenez gritando “Você vai matar ele! Você vai matar ele!”. Era a artista quem fazia o registro.

Em seu perfil no Instagram, onde é conhecida como Poeta Gimenez, ela postou o vídeo que viralizou. Ela também explicou o que levou à ação desproporcional do segurança. “Sofri essa opressão, meu amigo @anjodarua (Kevin Rodrigues) tentando me proteger também foi oprimido. Precisamos da união de todos porque se não nos unirmos isso só será mais um caso de opressão contendo agressão. Só será mais um caso esquecido…”

O que aconteceu

No vídeo, Poeta Gimenez explica que emprestou para uma terceira amiga, que também presenciou o caso, uma caixa de som e um microfone. Cantora, a amiga pretendia se apresentar nos vagões do metrô para conseguir renda extra.

“Eu decidi ajudar ela por que é mãe sozinha e precisava cuidar da filhinha. Na estação Vila Mariana fomos abordadas pelos guardas. O proibido é fazer apresentação nos vagões, então pedi para a Sol (artista amiga) subir, pagar a passagem e voltar”, conta.

A artista reforçou que os segurança continuaram com ela no local, insistindo para que ela também saísse do metrô. “Ficaram três guardas, homens, insistindo que se eu não saísse seria expulsa. Eles pegaram minha mochila à força alegando que tinha drogas nela. Não acharam nada. Pegaram meus braços à força, me imobilizaram no chão. Quebraram a alça da minha caixa de som. E me colocaram para fora da estação”, descreve.

Gimenez frisou que só havia uma guarda feminina no momento e que sabe que é proibido a abordagem de homens sob mulheres. No vídeo também aparece o depoimento de Kevin. Ele explicou que quando encontrou com a amiga e soube o que aconteceu, foi até a estação questionar o segurança que tinha feito a abordagem.

“Eu abordei o segurança e contestei ele verbalmente. Logo após eu pronunciar algumas palavras, um dos seguranças me deu um mata-leão, outro segurou o meu braço e me enforcaram até um desmaiar lá. Senti que eles tinha prazer em fazer aquilo”, contou.

Veja o vídeo:

Medidas cabíveis

Kevin Rodrigues tem 23 anos e também gravou um vídeo falando sobre a repercussão do caso. Ele explicou que ele e Gimenez sobrevivem das apresentações no metrô. “Eu trabalho com arte e as contribuições são voluntárias. Essas poucas contribuições que eu ganho são para sanar minhas necessidades: pagar meu aluguel e minha alimentação”, explicou.

Junto à postagem das marcas em seu pescoço após a abordagem, ele deixou claro que escolheu perdoar, mas tomará medidas cabíveis. “Não é porque perdoei que vai passar batido. Farei algo a respeito por mim, por nós. Já retomei as atividades, parar nem é opção”.

Kevin aproveitou para falar sobre o fato do vídeo de sua agressão atingir mais pessoas do que as músicas que compõe.

“Num lugar sem cultura, a violência se torna espetacular. Por isso, meus diários musicais tem menos alcance do que o vídeo de eu sendo agredido. Mas, eu, não vou ficar conhecido por ser agredido por um guarda. Vou ficarei conhecido por ser um excelente artista e um ser humano incrível também”, disse Kevin.

Em nota, o Metrô de São Paulo afirmou que vai analisar a atuação dos seguranças.

“O Metrô sempre apoia a cultura e é reconhecido por suas exposições artísticas e musicais, de forma coordenada para não atrapalhar a circulação dos trens e o fluxo de passageiros. As regras de uso do metrô são claras e não é permitido pedir dinheiro aos passageiros. A Companhia vai analisar a atuação dos seguranças, como realiza em todas as abordagens, para verificar a conduta e eventuais necessárias orientações e correções”, diz o comunicado.