Seminário em Itabira debate impactos das apostas online e busca propostas para enfrentar o problema
Encontro realizado nesta quarta-feira reuniu vereadores, profissionais e representantes de diferentes setores para discutir os efeitos das bets e construir propostas de atuação no município

O impacto das apostas esportivas e dos jogos de azar online sobre as famílias foi o centro das discussões do 1º Seminário Municipal sobre Apostas Esportivas e Jogos de Azar Online, realizado nesta quarta-feira (16), na Câmara Municipal de Itabira. O encontro reuniu representantes do Legislativo, profissionais das áreas de psicologia e educação e integrantes de diferentes setores da sociedade para discutir o problema e buscar caminhos de atuação no município.
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Idealizador do seminário, o vereador Hudson Diogo Junio Santos (PSB), o “Yuyu da Pedreira”, afirmou que a iniciativa surgiu depois que moradores levaram ao Legislativo relatos sobre dificuldades relacionadas às apostas. Segundo ele, a proposta de criar uma política pública municipal foi construída com a participação de diferentes áreas.
“A idealização desse seminário foi uma proposta feita por mim, mas construída por várias mãos, por várias pessoas, uma vez que essa pauta chegou para a gente, nessa Casa Legislativa, através de uma demanda da população”, afirmou.
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Yuyu também destacou que o objetivo do encontro foi ampliar a discussão para além do projeto de lei e envolver diferentes setores na elaboração de medidas. “Agora, para coroar esse projeto de lei, esse seminário que está acontecendo aqui hoje, com todos os setores, a sociedade civil organizada, os conselhos municipais, as secretarias municipais e a Câmara, fazendo o seu papel para a gente poder aprofundar nesse tema”, disse.
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Câmara aponta efeitos sobre as famílias
O presidente da Câmara, vereador Carlos Henrique Silva Filho (Solidariedade), o “Carlin Sacolão Filho”, também ressaltou a importância do debate e relacionou a expansão das apostas à facilidade de acesso por meio dos celulares. “As pessoas têm que conscientizar que elas não vão ganhar dinheiro da noite para o dia através desses jogos de azar. A gente não fica rico, não ganha dinheiro a não ser trabalhando”, declarou.
Carlin Filho afirmou ainda que a discussão deve envolver conselhos e a assistência social para ampliar o alcance das ações de conscientização. Na avaliação apresentada por ele, os prejuízos podem atingir diretamente o orçamento e a convivência familiar.
“É importante a gente debater esse tema juntamente com os conselhos para que possamos levar para a sociedade essa conscientização e mostrar também os malefícios que isso traz para as nossas famílias itabiranas”, acrescentou.
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Projeto prevê conscientização permanente
O vereador Leandro Pascoal (PSD) levou ao seminário a discussão sobre uma proposta de conscientização permanente. Segundo ele, o projeto apresentado na Câmara busca autorizar a Prefeitura a desenvolver ações voltadas aos efeitos das apostas.
“Esse seminário, em um primeiro momento, é muito importante para toda a população, porque é um seminário onde se discute um tema atual, que é a questão das betes, e dentro disso eu já apresentei também aqui na Câmara Municipal um projeto de lei em que autoriza a Prefeitura a fazer um trabalho de conscientização permanente sobre os males que as betes causam na população”, afirmou.
Pascoal disse que a iniciativa também foi motivada por pessoas que procuraram o Legislativo para relatar consequências relacionadas às apostas. Para ele, informar a população é uma das principais formas de enfrentar o problema. “É fundamental o trabalho de conscientização para mostrar o lado oculto das bets, porque geralmente os influenciadores mostram como se fosse uma coisa boa para a população, mas o lado oculto, dificilmente você vai ouvir algum influenciador falar sobre ele”, afirmou.
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Psicologia destaca risco de transformar aposta em expectativa de renda
Entre os palestrantes estava o psicólogo Fred Dornellas, que defendeu uma abordagem que considere tanto a dimensão individual quanto a atuação das instituições. Para ele, algumas pessoas podem enxergar as apostas como uma possibilidade de melhorar a própria condição financeira, transformando essa expectativa em uma armadilha.
“Acho que o maior papel que a gente precisa fazer é atuar de uma forma ambidestra, ou agridoce. Trabalhando tanto com a preocupação na saúde mental, no nível mais individual, subjetivo das pessoas, trabalhando com o desejo delas, o sonho de vida, o propósito, e como elas enxergam nas apostas, talvez uma alternativa para enriquecer ou melhorar a condição de vida, só que isso acaba virando uma armadilha”, afirmou.
Dornellas defendeu que a resposta seja construída de forma conjunta por poder público, setor privado e sociedade civil. Ele também apontou o município como espaço estratégico para esse trabalho por estar mais próximo da população.
“Então, como nós estamos, como Prefeitura, Câmara dos Vereadores, Universidade, ao lado das pessoas que estão sofrendo, estamos mais próximos, a gente consegue, na ponta de onde o problema está acontecendo, criar soluções e acolhê-las”, disse.
Durante a palestra, o psicólogo também chamou atenção para o funcionamento dos sistemas utilizados nas apostas. “Está jogando a própria vida, a própria sorte na mão de um computador. A inteligência artificial está funcionando o tempo inteiro, fazendo vários cálculos automáticos para fazer com que a gente ache que está ganhando”.
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Educação também entra na estratégia
A professora e doutora em Educação Luciene Santos defendeu que a resposta ao problema precisa aproximar diferentes áreas das políticas públicas. Segundo ela, educação, saúde e assistência podem atuar de maneira integrada tanto nas escolas quanto nas famílias e nos serviços de atendimento.
“Quando nós pensamos numa solução para um problema social, quanto maior a articulação e a colaboração interna entre as várias maneiras de ajudar, melhor a solução”, afirmou.
Luciene destacou ainda que a troca entre profissionais pode ampliar a capacidade de resposta de cada área. “Porque uma medida que a escola toma, quando ela é iluminada pelo saber da psicologia, pelo saber da saúde, ela se amplifica. Quando a saúde considera as dificuldades que a criança tem lá na escola, ela também melhora a sua atuação. Então, realmente a visão é integrada”.
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Debate terminou com encaminhamentos
A programação do seminário foi estruturada para que a discussão resultasse também na elaboração de propostas. Depois da apresentação do projeto de lei e das rodas de debate, os participantes foram divididos em grupos de trabalho por eixos temáticos. Na etapa seguinte, as propostas produzidas foram apresentadas e encaminhadas.
O encontro contou com representantes e convidados de áreas como Saúde, Educação, Assistência Social e Esporte e Lazer, além de escolas estaduais, conselhos municipais, polícias Civil e Militar e entidades da sociedade civil.
A realização teve apoio da Câmara Municipal de Itabira e da Escola do Legislativo, com participação de instituições de ensino, entidades e órgãos parceiros. A proposta apresentada pelos organizadores foi reunir diferentes setores para discutir os impactos das apostas online e transformar o debate em ações relacionadas à prevenção, ao atendimento e à atuação das políticas públicas no município.
