Senado aprova aposentadoria especial para agentes de saúde

Foram 57 votos favoráveis, duas abstenções e nenhum voto contrário ao projeto, que agora segue para análise da Câmara dos Deputados

Senado aprova aposentadoria especial para agentes de saúde
Agentes de saúde comemoram mais uma conquista no Senado- Foto: Waldemir Barreto/ Agência Senado

O Senado Federal aprovou em plenário, nesta terça-feira (23), o projeto de lei (PLP) 185/2024 que permite aposentadoria diferenciada para agentes comunitários de saúde e agentes de combate a endemias de todo o país.

Agentes de endemias de todos os estados brasileiros lotaram a galeria do Plenário e do auditório Petrônio Portela aguardando a votação.

Foram 57 votos favoráveis, duas abstenções e nenhum voto contrário ao projeto, que agora segue para análise da Câmara dos Deputados.

O autor do projeto, senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB) afirmou que a aprovação do projeto não é uma “pauta-bomba”, e que a regulamentação da aposentadoria especial está prevista na Constituição Federal desde 1988.

“Eu fui prefeito na minha amada Campina Grande e passei a ter a dimensão exata do trabalho, da dedicação extrema, dos sacrifícios, das exposições pessoais, emocionais e físicas que perpassam as vidas de agentes comunitários e da agentes de combate às endemias”.

O texto aprovado garante aposentadoria integral e igualdade para os agentes que cumprirem os requisitos mínimos de idade e tempo de serviço, concedendo também direito à pensão por morte com os mesmos benefícios e à incapacidade permanente, proveniente de doença profissional ou de trabalho.

Desde que tenham ao menos 20 anos de efetivo exercício na profissão, homens poderão se aposentar aos 52 anos, e as mulheres, aos 50.

Também existe a possibilidade de aposentadoria com 15 anos na atividade somadas a mais 10 em outra função. Estados e municípios terão que se adequar às normas em até 120 dias após a publicação da lei.

O relator do PLP, senador Wellington Fagundes (PL-MT), disse que os parlamentares estão valorizando esses profissionais e que os 400 mil agentes fazem mais de 300 milhões de visitas domiciliares por semestre, “levando orientação e amparo”, e que a cada R$ 1 investido neles, é gerada uma economia de R$ 4 a R$ 7 em internações, tratamentos e procedimentos de alta complexidade, e ressaltou que o trabalho desses agentes ajudou, nas últimas décadas, na redução dos surtos de dengue e chikungunya, das internações evitáveis e da mortalidade infantil.

Segundo o Ministério da Saúde, o Brasil tem hoje mais de 400 mil agentes espalhados no território nacional, atuando principalmente na atenção primária à saúde, por meio da Saúde da Família, na localidade onde mora.

Os agentes de Combate às endemias são profissionais exclusivos do SUS para o combate às endemias e promoção da saúde pública, com atuação integrada às equipes de Saúde da Família e focadas nas estratégias de prevenção e controle de doenças endêmicas e na promoção de ambientes saudáveis.

O texto aprovado vai à sanção buscando cumprir a Emenda Constitucional 120, promulgada em 2022, que estabeleceu o direito dos agentes à aposentadoria especial e à paridade de remuneração.

O senador Izalci Lucas (PL-DF) ressaltou a importância desse profissionais para a saúde brasileira, destacando a importância deles à época da covid.

O médico Marcelo Castro (MDB-PI) classificou o PLP como “oportuno e necessário”, e que os agentes são os “heróis da saúde brasileira”.

Também médica, a senadora Zenaide Maia (PSD-RN) ressaltou que o agente comunitário de saúde e o de endemia são os primeiros a ter contato com o paciente.

A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) destacou que esses profissionais também ajudam a identificar crianças vítimas de violência, por exemplo.

“Hoje é um dia de justiça. Presidente, eu conheço agentes comunitários que já tiveram malária 20 vezes. Então, fica muita gente aqui falando que esta é uma pauta-bomba, uma pauta de privilégio. Vão fazer o que eles fazem lá na ponta!”

*Fonte: Senado Notícias