Sobrecarga na pediatria do Pronto Atendimento poderia ser resolvida em nível ambulatorial, diz HNSD

O que prejudica o fluxo é o grande número de pacientes com sintomas leves, que não precisam de atendimento hospitalar

Sobrecarga na pediatria do Pronto Atendimento poderia ser resolvida em nível ambulatorial, diz HNSD
Foto: Gustavo Linhares/HNSD
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Desde os primeiros dias de 2023, o atendimento pediátrico está suspenso no Pronto Atendimento do Hospital Nossa Senhora das Dores (HNSD). A medida foi tomada devido às dificuldades de contratação de médicos pediatras — um problema que atinge instituições de todo o país. A ausência do serviço tem sido alvo de reclamações por parte de usuários de saúde. Quem também criticou o centro médico itabirano foi o prefeito Marco Antônio Lage (PSB), que em entrevista ao portal Notícia Seca, do jornalista José Sana, afirmou que há problemas de gestão no hospital. Diante das reclamações, o HNSD garante que não há desassistência à Itabira e região e alerta: muitos dos problemas que acometem as crianças podem e devem ser resolvidos em consultório ambulatorial, como nos consultórios médicos e unidades de planos de saúde.

Na terça-feira (4), o HNSD encaminhou à imprensa uma nota explicando a assistência pediátrica na instituição: “o serviço de Pronto Atendimento é responsável por prestar assistência aos clientes da saúde suplementar nos casos de urgência e emergência. A unidade conta com um pediatra 24h e realiza, em média, 33 atendimentos por dia, além da assistência aos partos e aos pacientes internados”.

Além de assegurar que não há desassistência, o hospital afirmou que muitos casos pediátricos que chegam ao Pronto Atendimento poderiam ser resolvido em nível ambulatorial — como em consultórios médicos e atendimentos por meio de planos de saúde. “Importante destacar que a maior parte dos casos que chegam à unidade do PA poderiam ser atendidos em nível ambulatorial, nos consultórios, mas não são, o que faz com que o tempo de espera para atendimento no PA possa chegar a 4 horas em período de alta demanda, tempo esse estimado nos casos de atendimento de classificação não urgente. Ainda assim, todos os pacientes pediátricos são atendidos, graças a uma equipe preparada tecnicamente para avaliar o quadro de saúde do paciente, conforme protocolo de classificação de risco”, destaca a nota do HNSD.

“Atualmente, mais de 95% das crianças que passam pelo Pronto Atendimento são classificadas na cor verde, o que indica que podem esperar sem que haja risco para elas. Periodicamente, ou em caso de mudança do estado do paciente, esse estado é reavaliado e reclassificado tendo seu tempo de espera sempre associado à urgência e emergência”, completa.

Confira a íntegra da nota do HNSD:

“O Hospital Nossa Senhora das Dores (HNSD) esclarece à população sobre o atendimento pediátrico na sua unidade de Pronto Atendimento (PA) e reitera seu comprometimento, bem como de toda a sua equipe, na assistência integral ao paciente.

Como é de conhecimento de todos, em janeiro, por falta de pediatra houve interrupção do atendimento aos pacientes do PA. Sabendo da importância do serviço para a comunidade e com a desistência dos profissionais do corpo clínico, o hospital contratou uma empresa terceirizada, desde o dia 6 de março de 2023, para assumir e manter o atendimento pediátrico, tanto no PA como na Unidade Materno Infantil. A empresa ainda está em fase de adaptação e tem enfrentado dificuldades na captação do profissional para compor a escala de atendimento. Problema esse vivido em todo o país.

O serviço de Pronto Atendimento é responsável por prestar assistência aos clientes da saúde suplementar nos casos de urgência e emergência. A unidade conta com um pediatra 24h e realiza, em média, 33 atendimentos por dia, além da assistência aos partos e aos pacientes internados.

Importante destacar que a maior parte dos casos que chegam à unidade do PA poderiam ser atendidos em nível ambulatorial, nos consultórios, mas não são, o que faz com que o tempo de espera para atendimento no PA possa chegar a 4 horas em período de alta demanda, tempo esse estimado nos casos de atendimento de classificação não urgente.

Ainda assim, todos os pacientes pediátricos são atendidos, graças a uma equipe preparada tecnicamente para avaliar o quadro de saúde do paciente, conforme protocolo de classificação de risco, identificando os casos em que a criança pode esperar ou encaminhando ao médico de plantão aquelas que necessitem de atendimento imediato como ocorre, por exemplo, na síndrome respiratória aguda, trauma, convulsão ou quando a criança corre risco real de morte.

Atualmente, mais de 95% das crianças que passam pelo Pronto Atendimento são classificadas na cor verde, o que indica que podem esperar sem que haja risco para elas. Periodicamente, ou em caso de mudança do estado do paciente, esse estado é reavaliado e reclassificado tendo seu tempo de espera sempre associado à urgência e emergência.

O Hospital não nega assistência e, ao contrário, faz tudo o que esteja ao seu alcance para prestar um atendimento de excelência, por entender que o seu maior propósito é defender a vida e cuidar das pessoas. Portanto, segue exercendo o seu papel, ainda que a rede ambulatorial não absorva a demanda e dificulte isso.

Também é fundamental que os pais e responsáveis fiquem atentos à criança, principalmente na chegada do inverno em que sintomas respiratórios são mais frequentes e, sobretudo, mantenham a calma durante o período de espera no PA até o atendimento para que a criança se sinta segura no ambiente hospitalar. Dessa forma, todos vamos contribuir para a melhora do estado de saúde da criança.

Críticas ao HNSD

Em entrevista publicada na segunda-feira (3) pelo portal Notícia Seca, do jornalista José Sana, Marco Antônio Lage fez duras críticas à administração do HNSD — capitaneada pelo provedor Márcio Antônio Labruna. De acordo com o prefeito, “o PA do Pronto-Socorro, várias ocorrências estão acontecendo lá. Ainda ontem [2] tive de atender pacientes da Unimed com problemas de pulmão em situação completamente inóspita dentro do Pronto Atendimento da Unimed no Hospital Nossa Senhora das Dores. Ali nós temos um problemas de gestão muito grave”.

“Nós vamos fazer uma grande reformulação no Pronto-Socorro agora e ainda assim os problemas do Hospital Nossa Senhora das Dores vão continuar. Nem sempre os problemas são públicos”, continuou Marco Antônio Lage.

Apesar de reconhecer que a falta de pediatras no mercado é um problema nacional e afirmar que a Prefeitura de Itabira fará investimentos no hospital, o prefeito seguiu criticando a instituição itabirana. “Na próxima semana, até sexta-feira, fica pronto o diagnóstico completo da gestão do Hospital Nossa Senhora das Dores. Eu vou ter uma reunião com o bispo e mostrar para ele que, infelizmente, a partir de agora nós vamos precisar divulgar isso para a população, porque a má gestão do Hospital Nossa Senhora das Dores tem atingido e impactado a Prefeitura e a população acha que a Prefeitura é que é responsável”, disse.

“O hospital não é municipal. O hospital municipal, apesar de caro, que é um contrato antigo, vai muito bem obrigado, que é o Carlos Chagas. O Hospital Nossa Senhora das Dores tem uma gestão que, infelizmente, pelos resultados da própria GRS, a Gerência Regional de Saúde, do Governo do Estado, vai muito mal”, acrescentou Marco Antônio Lage.

Declarações do prefeito repercutem na Câmara Municipal

As críticas de Marco Antônio Lage ao HNSD repercutiram durante a reunião ordinária do Legislativo, realizada na tarde de terça-feira. Parte dos vereadores condenaram a postura do prefeito. Para Luciano Gonçalves dos Reis “Sobrinho” (MDB), a Prefeitura de Itabira vem tentando transferir a sua responsabilidade para outras instituições: “Eu não posso ficar calado diante de um absurdo que vem acontecendo aqui na nossa cidade. Eu estou percebendo que o atual governo está tentando justificar o insucesso em muitas áreas e jogando a culpa nos outros”.

Já Sidney Marques Vitalino Guimarães “do Salão” (PTB) declarou que as falas do prefeito são uma tentativa de tirar o foco dos resultados ruins que, segundo ele, a Secretaria de Saúde tem obtido. “A falta de gestão é do governo atual e da Secretaria de Saúde porque os serviços básicos não estão funcionando. Na semana passada eu trouxe aqui que a vigilância sanitária está querendo interditar alguns PSFs, inclusive o do Fênix foi interditado. Toda essa má gestão da saúde reflete no itabirano que tem que ir procurar o hospital e o HNSD, que tem ótima gestão, tenta acolher da melhor maneira possível”, avaliou Sidney do Salão. “Pega a gestão ruim dele [prefeito], que ficou em 24º lugar da região, e está querendo tirar o foco do serviço ruim, de mal qualidade [do serviço municipal]”, completou.

A vereadora Rosilene Félix Guimarães (MDB) disse que problemas na prestação de serviço na atenção primária, que é de responsabilidade da Prefeitura de Itabira, gera sobrecarga de atendimento no HNSD. “Ontem eu estive no hospital para falar sobre o serviço pediátrico e, na verdade, os médicos de fora estão com medo de vir trabalhar aqui em Itabira por causa do número de reclamações que têm — e não é um problema do hospital, é um problema da saúde básica porque tem problemas que chegam ao hospital e que não deveriam chegar ao hospital. Mas como os PSFs não funcionam, como as especialidades na Policlínica não atendem a demanda, acaba o hospital ficando com sobrecarga de serviço de sobrecarga”, afirmou. “O prefeito quer jogar a culpa da má gestão dele no restante da cidade”, continuou.

Outro lado

O portal DeFato solicitou à assessoria de comunicação da Prefeitura de Itabira um posicionamento sobre o caso, mas o governo Marco Antônio Lage preferiu não se manifestar.

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