Testagem em massa da Vale faz disparar notificações de casos de coronavírus na região
A mineradora afirma que realiza a testagem de todos os seus empregados e terceiros. Dessa forma, a empresa previne que não haja contágio em suas operações.
A mineradora Vale vem realizando a testagem de todos os seus empregados e terceirizados em suas operações em Minas Gerais para identificar casos positivos de coronavírus. A medida, confirmada pela mineradora à DeFato, fez disparar as notificações de casos nas cidades mineradoras do Médio Piracicaba.
A reportagem questionou a Vale se a testagem dos empregados e terceirizados é feita além do complexo de Itabira, mas também em unidades como a de Brucutu, em São Gonçalo do Rio Abaixo; Água Limpa, em Rio Piracicaba, Gongo Soco, nas obras em Gongo Soco, em Barão de Cocais; e nas operações de Mariana, onde atuam muitas pessoas de Santa Bárbara e Catas Altas, por exemplo. A Vale reiterou que vem realizando a testagem em 100% dos empregados, bem como questionários de saúde, pois “dessa forma, a empresa previne que não haja contágio em suas operações”.
A testagem massiva da Vale aumentou as notificações das prefeituras. Em Itabira, por exemplo, boletim divulgado nesta sexta-feira (29) aponta 330 casos confirmados de coronavírus. O mesmo se repete em Rio Piracicaba, que em uma semana passou de dois para 30 casos confirmados. Em João Monlevade, mesmo sem sediar uma unidade da mineradora, diariamente a Prefeitura informa o aumento do número de casos, diante das notificações emitidas pela Vale. A empresa notificou a Vigilância em Saúde de Monlevade de empregados residentes na cidade, mas que trabalham em outros municípios, como Itabira, São Gonçalo e Rio Piracicaba. Monlevade contabiliza 61 casos confirmados de Covid-19.
Em Santa Bárbara não é diferente. Na segunda (26) havia 16 casos confirmados. Já nesta sexta (28), o município registrava 61 notificações. São Gonçalo do Rio Abaixo tem 18 casos confirmados de coronavírus. Em Nova Era, em cinco dias, a cidade alcançou 16 casos notificados.
Medidas preventivas
A quantidade de casos positivos despertou atenção do Ministério Pùblico do Trabalho e da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego de Minas Gerais (SRTE/MG), que pediram a interdição das operações da Vale em Itabira. A empresa obteve uma liminar na Justiça do Trabalho para continuar com as atividades.
A Vale informou à DeFato que segue os protocolos de saúde e segurança estabelecidos pelas autoridades e agências de cada um dos países onde opera. Segundo a empresa, as operações têm um contingente mínimo de pessoas para manter as atividades essenciais com segurança. Além disso, desde o dia 16 de março, vários empregados trabalham no sistema home office.
Outras medidas apontadas pela mineradora são escalonamento de turnos, desinfecção constante dos ambientes e o uso obrigatório de máscaras nas unidades. Além disso, ocorre a triagem diária na chegada dos trabalhadores, com aferição de temperatura corporal e aplicação de questionário de saúde para 100% do efetivo. Por fim, a Vale informou que implantou uma tecnologia para rastreamento por onde os empregados passaram, e outras medidas de distanciamento social, como aumento da frota de ônibus para reduzir lotação e maior distanciamento nos restaurantes.
Sobre as medidas adotadas com relação àqueles que testam positivo para a covid-19, a Vale respondeu que os trabalhadores são retirados do ambiente de trabalho, ainda que assintomáticos, bem como todos os que eventualmente possam ter tido contato com o empregado que testou positivo.




