Tradicionais Bartucada e Bat-Caverna estão fora do Carnaval de Diamantina em 2017
Praça do Mercado, no Centro de Diamantina, lotada para shows da Bartucada e da Bat-Caverna. Cena não se repetirá em 2017
O prefeito de Diamantina, Juscelino Brasiliano Roque (PMDB), confirmou nessa quarta-feira, 25 de janeiro, que as tradicionais bandas Bartucada e Bat-Caverna não se apresentarão no carnaval da cidade em 2017. O Executivo local alega dificuldades financeiras para arcar com os shows dos dois grupos. Além disso, também é intuito do governo mudar o perfil da festa momesca no município, deixando-a “mais voltada para a família”.
De acordo com o prefeito, em declarações republicadas pela mídia estadual, foram feitas várias reuniões com bandas locais para exposição da situação financeira do município. Juscelino afirmou que no ano passado Diamantina chegou a gastar R$ 160 mil com os dois principais grupos e que não teria condições em 2017 de chegar nem próximo disso. O chefe do Executivo cita a crise econômica e a diminuição do público no carnaval local como fatores preponderantes para a decisão drástica.
Uma proposta apresentada pela Prefeitura para que as bandas se apresentassem seria uma empresa terceirizada assumir o espaço destinado aos foliões na Praça do Mercado, com a venda dos abadás. O lucro seria usado primeiro para pagar as despesas da empresa e depois o que sobrasse iria para os grupos. A ideia foi recusada pelas diretorias das bandas.
Segundo reportagem do jornal Hoje em Dia, a banda Bat-Caverna necessitaria, no mínimo, de R$ 20 mil para se apresentar em dois dias do carnaval, de acordo com cálculos do produtor Rogério Vieira Farnezi. Ao periódico belo-horizontino, ele disse que achou a proposta da Prefeitura inviável porque “mobiliza toda a banda, com um custo operacional muito grande, e não garantido um custo mínimo”.
O fundador e presidente da Bartucada, Conrado Fabrino, também em entrevista ao Hoje em Dia, afirmou que tentou negociar com a empresa terceirizada pela Prefeitura, mas não receberam qualquer garantia de retorno financeiro. Ele diz que o grupo está em situação financeira complicada e que não poderia abrir mão de, pelo menos, R$ 45 mil para se apresentar todos os dias do carnaval em Diamantina. “Está difícil para todo mundo”, lamentou.
Em baixa
O Carnaval de Diamantina, que já chegou a atrair 50 mil foliões nos tempos mais áureos, agora observa uma queda crescente no número de turistas. No ano passado, por exemplo, foram 15 mil visitantes. A expectativa para 2017 é mais animadora, cerca de 35 mil, segundo o prefeito Juscelino Roque.
Neste ano, a Prefeitura deve investir cerca de R$ 500 mil no carnaval. Serão 22 bandas contratadas, que irão se alternar em vários palcos espalhados pela cidade. Os espaços serão abertos, em cobrança de ingressos e abadás. "O carnaval no modelo anterior já vem acabando e ele precisa ser mudado. A ideia para este ano é aproveitar os espaços públicos e fazer um carnaval mais voltado para a família”, afirmou o prefeito.
Um dos motivos apontado pelo prefeito para a queda de público em Diamantina é a mudança de perfil de carnavais como Belo Horizonte e Rio de Janeiro, onde é crescente o número de blocos populares, cada vez mais volumosos. Belo Horizonte, aliás, deve ser um dos destinos de Bartucada e Bat-Caverna em 2017.