Turista argentino responde por injúria racial após fotografar e enviar mensagens racistas sobre criança de sete anos

O homem havia sido detido em flagrante no dia 24 de maio após passageiros notarem seu comportamento suspeito e alertarem a mãe

Turista argentino responde por injúria racial após fotografar e enviar mensagens racistas sobre criança de sete anos
Foto: Reprodução

O cidadão argentino Eduardo Ignacio Murias, de 63 anos, tornou-se réu na Justiça mineira sob a acusação de injúria racial contra um menino de sete anos. O crime ocorreu a bordo do tradicional trem turístico da maria fumaça, que conecta as cidades históricas de São João del-Rei e Tiradentes, na região do Campo das Vertentes.

Segundo informações do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), a denúncia apresentada pelo Ministério Público foi acolhida na última quarta-feira (10) e a ação penal agora avança para a etapa de coleta de depoimentos e produção de provas, tramitando sob segredo de justiça.

O homem havia sido detido em flagrante no dia 24 de maio após passageiros notarem seu comportamento suspeito e alertarem a mãe da vítima, uma profissional de saúde de 32 anos do Rio de Janeiro que celebrava seu aniversário no passeio. Ao confrontar o turista e vistoriar o celular dele, constatou-se que o réu havia fotografado e filmado a criança sem autorização.

Ele enviou as imagens em aplicativos de mensagens com textos de teor racista, afirmando explicitamente que cogitava levar o garoto negro para o exterior para atuar como “escravo” no cuidado de suas netas. Diante do ocorrido, o maquinista foi acionado e os viajantes contataram a Polícia Militar via 190, resultando na prisão imediata do acusado assim que a composição ferroviária desembarcou na estação de Tiradentes.

Em manifestação oficial, o advogado de defesa, Ciro Chagas, confirmou a abertura do processo na 1ª Vara Criminal de São João del-Rei e declarou que protocolará a resposta à acusação no prazo legal para rebater os termos da denúncia, sustentando a inocência de seu cliente.

A concessionária VLI, responsável pela operação da maria fumaça, divulgou uma nota repudiando veementemente qualquer prática discriminatória e reforçou que prestou apoio imediato acionando as forças policiais. Apesar do trauma psicológico sofrido pelo filho, a mãe expressou gratidão pelo acolhimento recebido pelas autoridades policiais, funcionários da ferrovia e cidadãos mineiros que intervieram no caso.

* Com Itatiaia.