Ucrânia declara Estado de Emergência; Rússia aprova uso de tropas no exterior
Com o conflito cada vez mais eminente, Reino Unido declara apoio militar à Ucrânia. Já a China acusa os EUA de criarem “medo e pânico”
A Ucrânia declarou Estado de Emergência e começou a mobilizar reservistas nesta quarta-feira (23), pedindo a seus cidadãos que deixem imediatamente a Rússia por causa de uma crescente ameaça de guerra. O início dessa convocação ucraniana acontece um dia após a Câmara Alta do Parlamento russo deu permissão para que o presidente Vladimir Putin use força armadas no exterior — depois de reconhecer formalmente duas regiões separatistas do leste da Ucrânia.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, vinha adiando a mobilização de tropas e outras medidas emergenciais, temendo que o pânico pudesse causar mais danos à economia. Mas em um discurso televisionado na terça-feira em Kiev, ele disse que as ameaças russas à soberania da Ucrânia o estavam forçando a chamar reservistas para o serviço ativo e a mobilizar membros das recém-criadas brigadas de defesa territorial para exercícios.
Zelensky disse que a Ucrânia não realizará uma mobilização geral de civis, instando-os a continuar a vida normal. “Estamos certos de nós mesmos, estamos certos em nosso país, estamos certos de nossa vitória”, disse. “Estamos aqui para superar, não para chorar”, acrescentou.
O conselheiro de segurança nacional de Zelensky, Oleksiy Danilov, informou que a convocação de reservistas envolveria inicialmente 36 mil militares com experiência em combate. Os militares permanentes do país somam cerca de 200 mil soldados uniformizados.
A Rússia reuniu cerca de 190 mil soldados ao longo das fronteiras com a Ucrânia. Vladimir Putin, reconheceu, no início desta semana, a independência Donetsk e Luhansk, no leste da Ucrânia. Em seguida, pediu ao Parlamento autorização para uso das forças armadas no exterior — o que foi aprovado por unanimidade e a medida já está em vigor.
O Parlamento já havia ratificado um acordo assinado por Putin, que permite o governo russo a defender os separatistas ucranianos — esse ato se dá pelo reconhecimento do Kremlin dessas repúblicas.
A iminência do conflito já fez com que países como Portugal, Brasil, Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, Noruega, Dinamarca, Bélgica, Países Baixos, Alemanha, Espanha, Israel, Austrália, Nova Zelândia, Japão, Iraque, Kuwait e Itália peçam aos seus cidadãos que deixem a região.
Ajuda militar do Reino Unido
O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, afirmou, nesta quarta-feira, que o Reino Unido enviará ajuda militar à Ucrânia no futuro próximo, em meio ao “crescente comportamento ameaçador da Rússia”. Durante sessão no Parlamento britânico, o premiê explicou que o apoio incluirá armas de defesa letais.
Johnson respondeu a críticas da oposição de que o governo estaria fazendo pouco para confrontar Moscou. Segundo ele, o país foi o primeiro a alertar ao mundo sobre as atividades russa na fronteira com o território vizinho e assegurou a união do Ocidente no tema. “Nenhum país fez tanto quanto o nosso”, disse.
O líder britânico destacou as sanções econômicas contra a Rússia anunciadas na terça-feira. De acordo com ele, as potencias ocidentais podem impedir empresas russas de compensarem transações em libras e em dólares. A próxima rodada de sanções, disse ele, devem barrar negócios de oligarcas russos em Londres. “Estamos preparando ainda mais (sanções)”, ressaltou.
Johnson acrescentou que as punições devem mirar também em integrantes da Câmara Baixa do Congresso russo, a Duma, que votaram em favor do reconhecimento de Donetsk e Luhansk, no Leste da Ucrânia, como repúblicas independentes.
China acusa EUA de criarem “medo e pânico”
A China acusou os Estados Unidos de criar “medo e pânico” com a crise na Ucrânia e instou a diplomacia a reduzir as tensões que crescem rapidamente. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Hua Chunying afirmou que a nação asiática se opõe a novas sanções unilaterais impostas à Rússia, reiterando uma posição chinesa de longa data.
Ela disse que os EUA estão alimentando as tensões ao fornecer armas defensivas à Ucrânia, sem mencionar a mobilização de até 190 mil soldados da Rússia na fronteira ucraniana. Hua também não mencionou os esforços diplomáticos dos EUA, França e outros países.
“Na questão da Ucrânia, ao contrário dos EUA, que continuam enviando armas para a Ucrânia, criando medo e pânico e até mesmo reforçando a ameaça de guerra, a China tem pedido a todas as partes que respeitem e prestem atenção às preocupações legítimas de segurança de cada um, trabalhem juntos para resolver problemas por meio de negociações e consultas e manter a paz e a estabilidade regionais”, disse Hua em uma coletiva de imprensa diária.
“Para entender correta e objetivamente a situação da Ucrânia e buscar uma solução racional e pacífica, é necessário entender os méritos da questão da Ucrânia e abordar adequadamente as preocupações legítimas de segurança dos países relevantes com base na igualdade e no respeito mútuo”, pontua.
Ela disse que as sanções impostas à Rússia foram ineficazes na redução das tensões, causando “sérias dificuldades às economias e meios de subsistência dos países relevantes”. “Os EUA nunca devem minar os direitos e interesses legítimos da China e de outras partes ao lidar com a questão da Ucrânia e as relações com a Rússia”, finalizou Hua.




