UFMG avança em estudo que testa comprimido mensal para prevenção do HIV
Pesquisa avalia o MK 8527 como nova forma de PrEP oral, compara com o esquema diário já ofertado no SUS e entra em fase 3 com acompanhamento
A Faculdade de Medicina da UFMG participa de um estudo internacional que avalia a eficácia de um novo medicamento para prevenção da infecção pelo HIV. A pesquisa analisa o MK 8527, desenvolvido pela farmacêutica Merck, como alternativa de profilaxia pré exposição, a PrEP, em formato oral e com administração mensal. O objetivo é comparar o desempenho do novo comprimido com o esquema diário tradicional FTC TDF, que já é utilizado na prevenção e está disponível no SUS.
A PrEP é reconhecida por reduzir o risco de infecção pelo HIV e hoje é ofertada em modalidades como a versão oral de uso diário e a PrEP injetável, aplicada a cada dois ou seis meses. A proposta do estudo é preencher uma lacuna entre essas opções, já que ainda não há, segundo os pesquisadores, um comprimido de uso mensal aprovado para esse fim. Caso a eficácia do MK 8527 seja confirmada, a medida pode ampliar as escolhas de prevenção com uma rotina diferente de uso.
Na UFMG, o estudo é liderado pelo professor Jorge Andrade Pinto, do Departamento de Pediatria, em parceria com os professores Mateus Westin e Júlia Caporali, do Departamento de Clínica Médica, e com a professora Flávia Ferreira, também da Pediatria. Conforme o material divulgado pela Faculdade de Medicina, os resultados iniciais reúnem dados de cinco estudos clínicos de fase 1 e um de fase 2, com 431 voluntários, vivendo ou não com HIV. Esses dados indicaram alta potência contra o vírus, baixa toxicidade e longa meia vida no sangue, condição que permite a proposta de uma dose mensal.
Segundo o professor Jorge Pinto, esse conjunto de características coloca o medicamento como candidato a ampliar as opções disponíveis. “Essas características fazem do medicamento uma forte candidata a ampliar as opções de prevenção, oferecendo mais praticidade e potencialmente melhor adesão ao uso”, afirmou. Ele também destacou que a estratégia pode somar às modalidades já existentes, caso os resultados confirmem o desempenho esperado. “Se a eficácia for comprovada, essa estratégia vem somar às opções já existentes, ampliando a flexibilidade de escolha para os usuários”, disse.
A divulgação da UFMG aponta que este é o primeiro estudo de fase 3 voltado a investigar a eficácia do MK 8527 administrado mensalmente, em comparação com a PrEP oral diária, na prevenção da infecção pelo HIV. Os pesquisadores observam que, mesmo com avanços na prevenção e no tratamento, novas infecções seguem concentradas em grupos específicos com diferentes orientações sexuais e identidades de gênero, o que reforça a necessidade de estratégias preventivas adaptadas às realidades dos usuários.
Além do efeito clínico, o estudo também cita possível impacto no sistema de saúde. A avaliação apresentada pela equipe indica que uma pílula mensal pode ter custo menor do que o uso diário e favorecer a adesão, que é apontada como um desafio. Ainda assim, o texto ressalta que a custo efetividade dependerá de preços acessíveis e de condições que viabilizem o acesso, sobretudo em países de baixa e média renda. “O ideal é que a PrEP se adeque ao estilo de vida, às condições socioeconômicas e ao acesso aos serviços de saúde de cada pessoa”, afirmou Jorge Pinto.
A pesquisa está em andamento na UFMG por meio da Unidade de Pesquisa em Vacinas da Faculdade de Medicina, a UPqVac. De acordo com a instituição, a equipe já concluiu a triagem do primeiro grupo de voluntários, e a previsão divulgada é de que os testes tenham início ainda em janeiro. O estudo tem duração prevista de cerca de três anos.
*Com informações da UFMG.




