Um parque no meio do caminho

Conciliar desenvolvimento econômico e preservação ambiental, principalmente quando o assunto é mineração, não é tarefa fácil. A Vale enfrenta esse desafio para tirar do papel o projeto Apolo, que compreende os municípios de Caeté, Santa Bárbara, Rio Acima e Raposos. Em princípio o projeto foi orçado em R$ 4 bilhões. Mas após novos estudos, a […]

Um parque no meio do caminho

Conciliar desenvolvimento econômico e preservação ambiental, principalmente quando o assunto é mineração, não é tarefa fácil. A Vale enfrenta esse desafio para tirar do papel o projeto Apolo, que compreende os municípios de Caeté, Santa Bárbara, Rio Acima e Raposos.

Em princípio o projeto foi orçado em R$ 4 bilhões. Mas após novos estudos, a produção de 24 milhões de toneladas anuais de minério de ferro pode ser ampliada para 37,5 milhões – o que certamente demandará novos aportes. Um dos motivos para o eventual reajuste no valor é o aumento da frota de veículos de mina, apontado como necessário para sustentar as operações.
 
O início da exploração estava previsto para 2014, mas já se fala em prazo indefinido. Por causa da criação do Parque Nacional da Serra do Gandarela, onde está parte das reservas, o projeto saiu da lista de prioridades da mineradora. Procurada, a Vale afirma apenas que o empreendimento está em fase de licenciamento, seguindo rigorosamente os trâmites legais. O Instituto Chico Mendes de Conservação e Biodiversidade (ICMBio), responsável pela criação da reserva, afirma que o objetivo é preservar principalmente os aquíferos que fornecem cerca de 60% da água de Belo Horizonte, além de alimentar importantes rios do país.
 
Por meio de sua assessoria de imprensa, a Vale informou que o Estudo de Impacto Ambiental foi protocolado na Supram e seis audiências públicas discutiram o projeto com as comunidades de Caeté, Raposos, Nova Lima, Rio Acima, Santa Bárbara e Belo Horizonte. “A Vale participou ativamente do grupo técnico que debateu os melhores caminhos para o aproveitamento dos recursos naturais em compatibilidade com a preservação ambiental da região. A empresa já cumpriu todas as solicitações feitas pelas instituições envolvidas e agora aguarda o avanço do processo para que possa transformar os recursos naturais existentes ali em prosperidade”, diz a nota.
 
Caeté e Santa Bárbara
De acordo com o projeto, 51% da lavra ficará dentro do município de Caeté e 49% em Santa Bárbara. A montagem da infraestrutura para as operações, como usina de beneficiamento e logística, será construída em Caeté – incluindo um trecho de 20 km de estrada de ferro. Segundo  o secretário de Meio Ambiente e Serviços Urbanos de Santa Bárbara, Flávio Marcos Almeida, os impactos socioeconômicos normalmente causados em situações parecidas serão menores no município.  De acordo com ele, Caeté enfrentará o maior desafio nesse sentido. Já o orçamento de Santa Bárbara, que gira em torno de R$ 50 milhões por ano, será pelo cinco vezes maior na fase de instalação do Apolo.
 
Em Caeté, pelo menos 80% da população anseia pela concretização do projeto, segundo levantamentos recentes. “A prefeitura é a favor do Apolo, mas também prima pelo Parque da Gandarela”, pondera o secretário de Desenvolvimento Sustentável, Fernando José da Silva. Apesar de Caeté ser a cidade escolhida para sediar toda a infraestrutura para a exploração, o secretário vê mais pontos positivos que negativos. As perspectivas em termos de geração de emprego e renda minimizam os impactos, principalmente porque muitas pessoas trabalham em Belo Horizonte, a 50 km de distância. “Hoje a prefeitura emprega a maior quantidade de pessoas em Caeté. São cerca de 1.100 servidores”, diz o secretário. O projeto Apolo, no pico de obras, deve gerar 8.000 vagas principalmente na área operacional.
 
As pequenas conseguiram
Enquanto a Vale aguarda o avanço dos processos para transformar recursos naturais em prosperidade, cinco mineradoras de pequeno porte conseguiram liberação para seus projetos na área onde está sendo criado o Parque Nacional da Serra da Gandarela. Segundo reportagem do jornal O Tempo, juntos os projetos somam R$ 190 milhões de investimentos, que devem gerar 780 empregos diretos e 1.760 indiretos.
 
 
As mineradoras são: Ferro Puro, que prevê investimentos de R$ 40 milhões para exploração de minério de ferro; Pedreira Um, que vai investir R$ 45 milhões para exploração de brita; Mundo Mineral, que tem projeto de R$ 70 milhões; Jaguar Mining (Msol), com projeto de R$ 25 milhões para exploração de ouro; e Morgan Mineradora, que pretende investir R$ 10 milhões para exploração de limonita. A maioria das empresas está sediada no município de Santa Bárbara.
 
As autorizações foram concedidas após as conclusões dos estudos realizados por um grupo de trabalho formado pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), Instituto Estadual de Florestas (IEF), ONGs, Sindicato da Indústria Mineral do Estado de Minas Gerais (Sindiextra) e ICMBio.
 
No caso do projeto Apolo, se o investimento for efetivado conforme previsto no relatório técnico, a mina será a maior da Vale no Estado, ultrapassando em volume a mina de Brucutu, em Gonçalo do Rio Abaixo. Será também a segunda maior entre todos os ativos da companhia. Para chegar lá é preciso respeitar, todavia, o meio ambiente.