Uma estrada cada vez mais perigosa

Caminhões pesados circulam com frequência cada vez maior pela estrada do Forninho

Uma estrada cada vez mais perigosa

A rodovia LMG-779, conhecida como Estrada do Forninho, que liga Itabira a João Monlevade, demorou décadas para ser asfaltada. A pavimentação veio há cerca de dez anos, reduzindo as distâncias entre as duas principais cidades do Médio Piracicaba, mas agora tem sido destaque pelos constantes acidentes, que ocorrem pelo seu traçado estreito e sinuoso e, principalmente, pela grande movimentação de caminhões que transportam minério da Mina do Andrade, de responsabilidade da ArcelorMittal Mineração. 

Muitas pessoas utilizam a via diariamente, porque trabalham em Itabira e moram em Monlevade, ou vive-versa. Logo que foi asfaltada, em média 15 veículos passavam pela estrada do Forninho a cada meia hora. Hoje, são cerca de 50 veículos que trafegam pela estrada, no mesmo período.

A Mina do Andrade está localizada no meio da rodovia. Antes do asfaltamento, a empresa não utilizava a estrada para escoar o minério, que era transportado ou pela Rua do Andrade ou pela ferrovia. Desde 2011, a ArcelorMittal tem utilizado a estrada para escoar a produção da Mina e hoje também vende minério para outras empresas.

O fato é que a empresa tem causado transtornos e danos à estrada e às pessoas que passam por ela diariamente e não realiza nenhum tipo de manutenção no trecho. Devido ao peso das carretas e caminhões, o asfalto está repleto de rachaduras e alguns buracos já começaram a aparecer. Se não fosse o excelente material utilizado no asfaltamento da estrada, a situação estaria bem pior.

Além dos danos no local, frequentemente acontecem acidentes na rodovia, envolvendo carretas que prestam serviço para a mineradora. Como o local tem muitas curvas, muitos motoristas perdem o controle da direção e os veículos tombam, fazem L, e causam acidentes.

Em 2014, duas mortes foram registradas na estrada, com batidas envolvendo carretas. Por semana, uma média de três acidentes acontecem na via, como informou a Polícia Militar Rodoviária (PMR). A maioria tem o envolvimento de carretas ou caminhões. O perigo que o grande fluxo de veículos pesados expõe aos motoristas é diário. A PMR é responsável pela rodovia, que não possui fiscalização de tráfego regularmente. 

Sobre a manutenção da estrada, a ArcelorMittal Mineração informou que foi realizada a construção do trevo de Três Antas, em 2013, com completa sinalização e estrutura necessária aos motoristas, onde foram investidos R$4 milhões, que reduziu os riscos de acidente, pois sua localização está distante do viaduto. No entanto, a poeira de minério no trevo é cada dia maior e nem o caminhão pipa que molha a pista constantemente resolve o problema agravado pela péssima visibilidade.  Existe um contrato de manutenção do trevo, que é seguido pela empresa. Mas a manutenção da rodovia não é de responsabilidade da ArcelorMittal.

Sobre a orientação que a empresa repassa a seus motoristas devido ao grande número de acidentes que ocorrem na estrada envolvendo seus caminhões, a ArcelorMittal Mineração informou que são realizadas diversas ações, tais como treinamento aos motoristas, campanhas de direção defensiva e distribuição de folders. Mas a correria com as carretas carregadas não é fiscalizada e torna o trecho ainda mais perigoso.