Uma faixa no meio do caminho
Educação no trânsito melhora convivência entre pedestres e veículos no centro de Itabira
Com uma frota que não para de crescer, próximo de um veículo para cada 2,27 habitantes, seria natural que o índice de atropelamentos em Itabira aumentasse proporcionalmente. Na contramão desses números, o município demonstra uma queda nos acidentes envolvendo pedestres. Entre os meses de janeiro e junho de 2011, a Polícia Militar registrou 74 atropelamentos, contra 49 ocorridos este ano no mesmo período, o que representa uma queda de 33,7%. De acordo com Fernando Pena, chefe do Departamento de Trânsito e Transportes (Transita), esses índices têm ligação direta com a forma de trafegar de pedestres e veículos.
Segundo Fernando, alguns fatores influenciaram para a redução dos acidentes, especialmente na área central. A campanha Pé na Faixa, lançada no final de 2011, foi uma iniciativa de conscientização tanto para o pedestre, quanto para os motoristas e que vem surtindo efeito bastante positivo. Outros elementos importantes foram ações conjuntas entre a Transita, a Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros, além de um aumento no número de faixas de pedestres, bem como revitalização das mesmas. As mudanças de sentido de algumas ruas e as passagens elevadas também foram elementos importantes.
Antes de iniciar a campanha educativa, o órgão de trânsito já sabia que a resposta seria positiva, pois a empreitada era um anseio da comunidade. “Imaginávamos que o Pé na Faixa seria bom, pois todas as ações são norteadas por pesquisa. Foi diagnosticada uma vontade da própria população em respeitar a faixa. Houve simpatia da comunidade e os resultados vieram”, diz o chefe da Transita.
Afonso Célio Duarte, aposentado de 54 anos, é um dos que almejavam por ações nesse sentido, enquanto pedestre e motorista. Ele afirma ser cortês na via por estar acostumado a parar para os transeuntes em Vitória, no Espírito Santo, para onde viaja constantemente. “Em Itabira, falta educação dos pedestres. Se ele estiver na faixa, eu paro. O problema é quando ele aparece do nada e atravessa na frente de uma vez. Mas o motorista parar é muito válido, precisávamos desta regra”, declara o aposentado.
Ciente de seu papel de cidadão, o aposentado Ernani Henrique Nascimento, 47, também faz o possível para agir corretamente no trânsito. Ainda assim, ele acha perigosa a travessia nas ruas mais movimentadas da cidade. “Passo sempre na faixa para aumentar a segurança, mas às vezes tenho que correr para não ser atropelado. Alguns motoqueiros passam rapidamente. Poucos param, mas vejo que hoje realmente está melhorando”, pondera.
Motos
O estudo da Transita aponta que a frota de motocicletas na cidade é de cerca de 23% do total de veículos. Apesar de estarem motorizados, pilotos e garupas também são alvos fáceis de acidentes. As motos estão envolvidas em 44% dos acidentes de trânsito na cidade, dos quais 67% têm como vítimas os próprios ocupantes. Em 2011, houve 603 acidentes envolvendo motocicletas. Este ano, os dados contabilizados até o mês de junho já somavam 306.
Hely Aparecido Ribeiro, motociclista de 44 anos, diz ter o hábito de parar na faixa destinada aos pedestres, aplicando os conceitos sobre regras de condução aprendidos na autoescola. “A preferência sempre é do pedestre. Temos que andar dentro das normas para um trânsito mais tranquilo e seguro. Já vou reduzindo ao me aproximar da faixa”, garante.
Educação
As estatísticas demonstram maior incidência de atropelamentos no período de novembro a dezembro, quando as pessoas saem às compras de Natal. Na região central, os locais de maior ocorrência são a Praça Acrísio de Alvarenga e toda a extensão da Avenida João Pinheiro. Já os atropelamentos mais severos têm acontecido nos bairros. Na maioria dos casos por falta de educação do condutor, já que a causa está atrelada diretamente ao excesso de velocidade.
Às autoescolas cabe a tarefa de inferir regras aos condutores e pedestres. Gabriel Siqueira, proprietário da CFC Líder, diz que, ao se matricular em um centro de formação, o próprio aluno começa a observar que nem sempre é um bom pedestre. “Batemos na tecla de que a partir do momento em que se coloca o pé na via, a segurança deve estar em primeiro lugar. Por isso, a abordagem deve ser incisiva de que o pedestre também deve estar atento, devido à sua fragilidade”, explica.
Para o comandante da 83ª Companhia da Polícia Militar, capitão Werner Leonardo Pereira Santos, a redução nos números representa para a corporação um ponto positivo, já que a frota de veículos em Itabira, especialmente motocicletas, tem crescido muito. Ele analisa que registros de acidentes com vítimas não atingem números consideráveis, se comparados com as demais ocorrências de trânsito como batidas, colisões e danos. O militar concorda que trabalhos de conscientização, campanhas, sinalização viária e blitze educativas contribuíram para a diminuição dos números, mas ressalta que precaução é a palavra de ordem: “Não diria que podemos comemorar esses dados, mas sim nos manter em alerta sobre a necessidade de redobrar as atenções quanto à circulação nas vias urbanas”.
O chefe da Transita também faz uma ressalva: as campanhas de conscientização não são feitas constantemente. Se isso ocorresse, com o tempo, elas não chamariam mais a atenção das pessoas, virando rotina: “As campanhas não devem ser permanentes, mas a educação sim”.