“Vai ser uma explosão de alegria e alívio”, relata atleticano sobre o fim da espera pelo bi do Brasileirão
Mesmo com euforia pelo momento da festa, torcedores mantém cautela
Uma pesquisa do Departamento de Matemática da Universidade Federal de Minas Gerais garante que o Atlético-MG tem 99,83% de chance de ser campeão brasileiro em 2021. Mesmo diante desse número, atleticanos preferem manter cautela, ainda que a asa do Galo já esteja na taça.
A DeFato conversou com alguns atleticanos e o consenso é geral: ansiedade para gritar “é campeão”, mas mantendo a cautela no campeonato de pontos corridos. O engenheiro Gustavo Pfeilsticker, 57 anos, é apaixonado pelo Atlético desde 1969.
“Eu tenho seis irmãos, os três mais velhos são cruzeirenses, meu pai era americano e minha mãe é atleticana, mas não fanática. Escolhi o Galo por causa dela. Com 5 anos, em 1969, minha paixão nasceu e só cresce até hoje. Naquela época lia e escutava tudo do Galo, minha mãe ficava até preocupada. Meu primeiro jogo no Mineirão foi um Atlético x Cruzeiro, em 1970, que uma tia me levou. Ficou 0 a 0 e não pude conhecer a massa vibrando”, relatou o atleticano.

Como nada na vida do atleticano acontece de forma tranquila, o segundo jogo de Gustavo no Mineirão foi um confronto pelo triangular final do Brasileiro de 1971, entre Atlético e São Paulo. Nessa partida, Gustavo finalmente poderia comemorar um gol do Galo no meio da massa. Porém, não foi bem assim. Ele foi ao estádio acompanhado do irmão, da prima e uma amiga dela, que acabou passando mal e indo para o ambulatório do Mineirão, de onde, por meio de uma pequena janela, Gustavo conseguiria ver o gol de falta do Galo, marcado por Oldair.
Depois desse episódio, Gustavo conseguiu compensar o episódio pitoresco. Viu ‘in loco’ os títulos mineiros de 76, 80, 81, 82, 83 e 85. Mas não conseguiu ir ao estádio na decisão do Brasileiro de 1977.
“Foi um dos dias mais tristes da minha vida, não consigo ver até hoje. Quando passa na TV, eu mudo de canal. Se em 77 foi tristeza, contra o Flamengo em 80 e 81 foi o mais puro e genuíno ódio. Em 2013, quando fomos para os pênaltis na final da Libertadores, eu fiquei estranhamente calmo, no meu íntimo eu sabia que o destino não podia ser tão cruel assim, tudo tem limite”, contou Gustavo.
Esses momentos da história do Atlético-MG, em que o título ficou no quase, também foram marcantes para a atleticana Sirley Vieira Lopes, de 63 anos. Sirley também partilha do mesmo sentimento de Gustavo, da indignação com as várias “batidas na trave”, termo do futebol para situações que não se confirmam.
“Esse grito está preso na garganta há cinquenta anos, né? Nós estamos fazendo bodas de prata de título. Então, assim, a ansiedade anda a mil. Fico nervosa. Fico acompanhando os outros resultados, e aí é papelzinho e caneta na mão pra ver os resultados dos outros jogos, somando o que que falta ainda pra disputar. É uma loucura”, expressou a torcedora.

O fim da espera
Carlos Henrique Barbosa tem 46 anos, é editor e torcedor fanático do Clube Atlético Mineiro, e relata estar ansioso pela concretização do título do Brasileirão. Porém, mantém o mesmo discurso de cautela, após viver vários momentos de “quase-campeão’.
“Foram muitas vezes na trave, no pênalti, muito perto da conquista. Às vezes o Atlético começava o campeonato muito bem e ao longo do campeonato ia perdendo a força. E são muitos anos [de espera], cinquenta anos pra um time da grandeza e da quantidade de torcedores. Isso não é legal não, a gente precisava desse título mesmo. Acho que ninguém tá conseguindo acreditar que finalmente o time vai sair da fila do Brasileirão”, expôs o atleticano.
Ele conta, ainda, que tem a sensação de que, mesmo faltando pouco, parece que o “campeonato ainda tem 350 jogos e 215 pontos para a festa”.

O momento da festa
Apesar da cautela com o grito de campeão, os três esperam ansiosamente pelo momento do título e da comemoração. Gustavo contou que está com medo de quando a hora chegar, mas acredita que “vai ser uma explosão de alegria e alívio”. Sirley, atleticana de alma e de herança herdada, relata que vai ser um momento único na vida de cada atleticano. “Acho que em cada canto de Belo Horizonte vai ter um coração atleticano disparado, não vão faltar lágrimas nos olhos. Eu espero muito que seja um momento com muita alegria, com muita paz e principalmente sem violência”, relatou.
Carlos Barbosa também não vê a hora de celebrar, e acredita que “vai ser uma explosão muito grande, eu acho que vai ser praticamente um mês de comemoração”.




