A Vale não sabe precisar quais serão os próximos reflexos da crise em Itabira e região. Pelo menos foi o que ficou claro na entrevista coletiva realizada na tarde desta terça-feira, 6 de janeiro, com o diretor de departamento de Ferrosos Sudeste da mineradora, Marcelo Fenelon e interpelada pelo gerente de comunicação, Fernando Thompson. Os dois profissionais foram taxativos ao informar que a empresa manteve, no último ano, um nível de crescimento no patamar de 11% na cidade. Além disso, informaram que, dos municípios que a Vale atua, Itabira foi o que menos sofreu com os cortes após o período de instabilidade na economia mundial. “Não há uma previsão de até quando haverá crise. O que sabemos, e o que foi informado pelo presidente da Vale, Roger Agnelli, é que até junho o mercado será deteriorado, sentirá os efeitos da crise. A partir daí há a possibilidade de recuperação deste mercado”, afirmou Fernando Thompson.
Por outro lado, os porta-vozes da Vale informaram que em 2008 a empresa criou mais de cinco mil postos de trabalho no país, segundo eles, sendo em Itabira 279 vagas deste total. “A Vale é a empresa que mais investiu em 2008 no Brasil”, disse Marcelo Fenelon.
O entusiasmo ao citar o desempenho da empresa no ano passado era deixado de lado ao prever investimentos ou continuidade de projetos neste ano em Itabira e região. Um exemplo disso foi a cautela utilizada durante a explicação sobre a possibilidade de fechamento de minas e usinas da empresa. “Dadas as condições de mercado atuais, não há nenhuma alteração, por exemplo, com a Mina de Brucutu e qualquer outra mina. O que houve foi uma redução de produção devido a queda da demanda de minério de ferro no mundo”, garantiu Thompson.
Como a Vale depende do mercado, ficou clara a colocação dos executivos de que a Mina de Brucutu e outra qualquer podem sofrer algum impacto com redução de atividades. O tempo de duração da crise não depende da empresa, a Vale está inserida na cadeia de produção. A Mina de Gongo Soco, em Barão de Cocais, teve sua área de produção interrompida, assim como o Cauê, em Itabira. A Mina do Cauê tinha exaustão prevista para 2015, de acordo com informações transmitidas a DeFato em 2005.
Prefeituras
Uma das preocupações dos prefeitos que tomaram posse na região do Médio Piracicaba no último dia 1º é a queda da receita dos respectivos municípios após a queda da produção da mineradora e, consequentemente, a diminuição dos impostos às cidades. atual cenário da economia mundial. Perguntado por DeFato sobre o posicionamento da empresa diante os reflexos em localidades como Itabira, Barão de Cocais, São Gonçalo do Rio Abaixo, entre outras, Fenelon disse que já esteve nas prefeituras para discutir o assunto.
“A preocupação dos prefeitos é pertinente. A Vale participa desta cadeia de produção de minério de ferro. Quando essa cadeia retrai é impossível estocar milhões de toneladas de minério. Então, o efeito é direto na produção e em tributos. Estamos focados no longo prazo, mas o momento é de cautela e de ajuste. Os municípios sofrerão um impacto na redução de produção da Vale”, explicou.
Ato público
Sobre o ato público organizado pelo Sindicato Metabase no dia 8 de janeiro em Itabira – contra as demissões na cidade, totalizadas segundo Fenelon e Thompson em 62 pessoas – os porta-vozes também adotaram um discurso de cautela. “Estamos abertos para negociação e disponíveis para conversar. Todos os sindicatos têm acesso a Vale para tocar suas ações. Achamos que a rota da radicalização não é a melhor solução para os problemas. Precisamos do apoio de todo mundo para que a gente supere o momento do mercado retraído", finalizou.