Vale planeja recuperar milhões de toneladas de minério a partir de reaproveitamento de rejeitos e estéril
O processamento a úmido do minério de ferro, que é utilizado atualmente em menos de 30% da produção da Vale, gera rejeitos
A Vale criou um programa de mineração circular pelo qual vai recuperar 6,7 milhões de toneladas de minério de ferro este ano com reaproveitamento de rejeitos e estéril, investindo em inovação e sustentabilidade, com o objetivo de ampliar a lavra de minério a partir de pilhas e barragens já existentes, otimizando o processamento mineral para a redução da quantidade de rejeitos e estéril gerados, desenvolvendo iniciativas de coprodutos, como areia e blocos para construção civil.
A criação do programa permite mensurar os resultados de maneira integrada, com mapeamento de mais de 100 iniciativas, identificando o aproveitamento de mais de 2Mt de minério, evitando um custo de ao menos 100 milhões ao eliminar etapas de transportes de rejeitos para pilhas e barragens.
Outro benefício do programa são as iniciativas de coprodutos, que têm potencial de gerar um novo destino para subprodutos como areia, em blocos de pavimentação e areia comercial para a construção civil, deixando de emitir 1,9 Mt de CO2 até 2035, equivalente a emissão de 1,2 milhões de automóveis populares durante um ano.
O vice-presidente executivo Técnico da Vale, Rafael Bittar, disse: “Nosso programa visa maximizar o aproveitamento do minério de ferro nas reservas, reduzindo a geração de rejeitos, gerando valor para a Vale e para a sociedade. Projetamos que até 2030, cerca de 10% da nossa produção anual seja proveniente de mineração circular, podendo chegar a 20% futuramente”.
O processamento a úmido do minério de ferro, que é utilizado atualmente em menos de 30% da produção da Vale, gera rejeitos, que são dispostos em barragens e pilhas. Durante a lavra, ocorre também a movimentação de estéril, e com os avanços tecnológicos do programa, a empresa vem aumentando o aproveitamento desses materiais e, graças às novas tecnologias de sondagem, tem sido possível expandir o conhecimento geológico sobre recursos minerais anteriormente desconsiderados e que agora serão incorporados na produção por meio da identificação do seu valor comercial.
Em Minas Gerais, a mineração circular está permitindo a eliminação das pilhas de estéril da mina de Serrinha, com o material sendo transportado para a mina de Mutuca, em Nova Lima, para o reaproveitamento do minério de ferro contido na pilha, melhorando a relação com a comunidade local.
Em Carajás, Pará, na barragem do Gelado estão previstos o reaproveitamento de 138 milhões de toneladas de rejeitos de minério de ferro para produzir pellet feed de altíssima qualidade, objetivando reduzir 62% do rejeito total da barragem acumulados por 37 anos de operação, por meio de dragas elétricas e com a previsão de volume de emissão de CO2 evitada de cerca de 524 mil toneladas, o equivalente a circulação de 114 mil carros populares.
Na produção de coprodutos a Vale avança. Em 2023 foi criada a startup Agera para desenvolver e ampliar negócio de Areia Sustentável da empresa. Após sete anos de pesquisa, o coproduto começou a ser produzido em 2021 como substitutivo da areia comum, extraída do meio ambiente. Desde então, já foram destinados à construção civil e a projetos de pavimentação rodoviária de cerca de 900 mil toneladas do produto, com expectativa de comercializar 1,8 milhão de toneladas de areia sustentável.
A Fábrica de Blocos do Pico, inaugurada em 2020, é uma plana que trata rejeitos de mineração em blocos para a construção civil.
A fábrica está localizada em Itabirito, Minas Gerais, promovendo a economia circular ao reaproveitar cerca de 30 mil toneladas de rejeitos por ano., produzindo 3,8 milhões de itens como pisos intertravados, blocos de concreto e placas de vedação.
Para a Vale, a mineração circular não se trata apenas de reciclagens dos produtos-finais, mas também a redução e eliminação dos rejeitos nos processos da mineração, incluindo a redução de CO2.
*Fonte: [email protected]




