Vereadores criticam aumento da passagem e pedem explicações para a Transita

A Câmara de Vereadores vai enviar um ofício para a Transita, pedindo explicações sobre o aumento na passagem de ônibus em Itabira

Vereadores criticam aumento da passagem e pedem explicações para a Transita

O aumento da passagem de ônibus em Itabira, que passou de R$ 3,10 para R$ 3,65, foi alvo de reclamação dos vereadores durante a reunião da Câmara de Itabira desta terça-feira, 22 de novembro. A Casa vai encaminhar um pedido para que a Transita envie a auditoria para o Legislativo, de maneira que possa ser apreciada pelos vereadores.

O acréscimo de R$ 0,55 passou a valer nessa segunda-feira, 21 de novembro, depois que a Prefeitura de Itabira publicou o decreto no Diário Oficial do Munícipio, no dia 19 de novembro, autorizando o valor. Antes disso, as planilhas de custos da Transportes Cisne foram apreciadas pelo Conselho Municipal de Transportes e Trânsito (CMTT), que deliberou pelo aumento.

O primeiro a falar sobre o tema foi Bernardo Mucida (PSB), que reconheceu a inflação deste ano, mas pediu que a auditoria realizada pela Transita fosse enviada para a Câmara, para que os vereadores pudessem ficar cientes daquilo que justificou o aumento. “Eu sei que foi discutido no Conselho Municipal de Trânsito, depois decretado pelo prefeito, mas a título de conhecimento, de acompanhamento, eu queria fazer esse pedido para que a Transita envie para a gente aquele estudo que foi feito com as planilhas que justificam o aumento da passagem”, falou.

Outro que comentou o assunto foi Allaim Gomes (PDT), dizendo que como vereador quer fiscalizar se o aumento é real e válido. Ele também falou que é preciso cobrar a Cisne e a Pássaro Verde (grupo dono da Cisne) para que a qualidade da prestação do serviço seja melhorada na cidade. “A gente sabe que tem inflação, a gente sabe do aumento do combustível, aumento do salário dos motoristas. A gente não vai ficar aqui discutindo sem saber com quais argumentos foi aumentada a passagem. Mas não pode deixar de cobrar aqui dentro dessa Casa a melhoria na qualidade do transporte. Por exemplo, eu estive presente no início do mês agora em uma cidade do Espírito Santo, eu vi uma carreata de 25 ônibus novos chegando na cidade de Guarapari. A gente não pode deixar aqui de cobrar a qualidade do transporte, que está deixando muito a desejar”, cobrou.

O presidente da Câmara, Rodrigo Diguerê (PV), concordou com os questionamentos e pediu para ser constado em ata o pedido para que a Transita envie as planilhas de custos. Ele citou a urgência da medida, para que os vereadores possam acompanhar rapidamente a prestação do serviço da Transportes Cisne em Itabira.

Já Lado de Dona Dudu (PMDB) lembrou que há 15 anos o aumento das passagens passava antes pela Câmara, sendo também assunto para os vereadores opinarem. Ele aproveitou para esclarecer que a Casa não tem mais essa responsabilidade. “Não compete mais aos vereadores, mas nós podemos fazer a cobrança, estamos aí para fazer, junto com a Transita e o Conselho de Trânsito, que são os órgãos que julgam a possibilidade do aumento, os gastos da empresa. E a gente cobra também a questão da qualidade dos ônibus da Pássaro Verde. Tem muitos anos que a gente não vê um ônibus novo entrar aqui na cidade”, afirmou.

Outro que manifestou crítica ao aumento foi Ronaldo Capoeira (PV), que cobrou um relatório para explicar o motivo da decisão. “Dessa vez o aumento foi maior devido o momento que a gente passa, crise, desemprego. A não ser que a empresa está com a ideia de aumentar vagas de emprego lá, não sei qual que é a ideia da empresa”, disse.

Rodrigo Diguerê apoiou a crítica e afirmou que até ele ver o relatório e entender as justificativas, não vai conseguir entender o motivo do aumento ter sido alto. “É importante frisar e deixar constado em ata que a Câmara não tem possibilidade de atuar nesse caso. Como Lado bem disse aqui, é uma definição pelo executivo, da Transita e do Conselho de Trânsito, que são pessoas idôneas, do bem, mas que a gente precisa tomar conhecimento disso, pra fazer as cobranças ou entender o motivo de um aumento tão considerável”.

Ex-presidente do CMTT

João Miguel Abreu, que foi presidente do Conselho Municipal de Transportes e Trânsito até outubro deste ano, esteve presente na reunião e criticou o valor do aumento. Ele se disse envergonhado com a situação, já que todas as planilhas de custos já tinham sido discutidas e enviadas para o prefeito, que não concordava com o aumento. “Nos últimos 15 anos todo aumento de passagem nunca passou de 20 centavos. E a gente não entende porque esse aumento abusivo desse jeito agora, situação mais complicada. Porque nos tempos dos bois gordos a gente nunca fez, o conselho nunca deliberou um aumento de passagem tão abusivo igual foi", criticou.

João Miguel Abreu foi presidente do Conselho Municipal de Transportes e Trânsito até outubro deste ano / Alexandre Santos/DeFato