Vereadores debatem mudanças em hospitais itabiranos
Vereadores apresentaram pontos de vistas diferentes em discussão sobre mudanças no setor da saúde em Itabira

A saúde de Itabira foi o centro das discussões na Câmara de Vereadores durante a reunião dessa terça-feira, 26 de maio. Oposição e base governista debateram sobre a implantação de atendimento 100% SUS no Hospital Carlos Chagas (HCC) e demonstraram visões diferentes sobre a situação. Um ponto, porém, foi unanimidade: o município viverá um período turbulento nessa área.
O assunto foi levantado pelo oposicionista Geraldo Torrinha (PDT). O vereador fez referência a uma matéria jornalística que abordava as dificuldades do Sistema Único de Saúde (SUS) e demonstrou preocupação com a mudança em Itabira. “O SUS está estrangulado. As pessoas pintam uma realidade que não existe. Estou muito preocupado. O prefeito deveria ter pensado melhor, não era só acatar o que o Ministério Público determinou”, comentou o pedetista.
O líder do governo na Câmara, Rodrigo Diguerê (PV), lembrou de audiência pública e reuniões realizadas para debater o assunto e argumentou que a mudança acontece depois de uma recomendação do Ministério Público, que não aceitou o modelo de administração do HCC. O hospital era gerido pela Funcesi, mas com dinheiro da Prefeitura de Itabira. O MP, então, determinou que houvesse uma licitação para definir a entidade mantenedora do Carlos Chagas. “Damon pegou um caso já sentenciado. Essa questão estava julgada em duas instâncias e não cabia mais recurso. A atual administração só está cumprindo o que a Justiça determinou”, afirmou.
Bernardo Mucida (PSB) e Geraldo Torrinha contestaram a informação do líder de governo. Os opositores afirmaram que o caso ainda estava em primeira instância quando a atual administração decidiu tornar o HCC 100% SUS. “Foi uma decisão política e o próprio secretário municipal de Saúde (Reynaldo Damasceno) disse isso em uma audiência pública. Preferiram não recorrer e acatar. Tudo bem, isso é agua passada. Agora, tem que se dar viabilidade a essa proposta”, disse Mucida.
Rodrigo Diguerê concordou que a mudança afetará a vida dos itabiranos e colocou a modificação como “uma situação de enfrentamento”. O pevista citou que Itabira é uma cidade com panorama diferente das demais, já que possui quase a metade da população atendida por planos de saúde. Para ele, isso vai amenizar o impacto no Hospital Carlos Chagas, já que os clientes da saúde suplementar procurariam outros meios de atendimento.
Geraldo Torrinha voltou a criticar o governo e afirmou que “o Carlos Chagas vai quebrar”, enquanto o Hospital Nossa Senhora das Dores (HNSD), se transformará em “hospital para internação”. Companheiro de oposição, Bernardo Mucida demonstrou preocupação com a maternidade do HNSD. “É uma instituição centenária, que viu nascer quase toda população de Itabira e agora vai perder a maternidade”, comentou.
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Cobrança a planos de saúde
O vereador Paulo Soares (PSB) também entrou no debate. O socialista, que até o início do ano ocupava o posto de líder do governo, afirmou que vê com bons olhos um hospital totalmente dedicado a atendimentos públicos. Para ele, a cobrança deve ser em cima dos planos de saúde, para que eles criem mecanismos de atendimentos mais eficientes aos clientes.
“Temos uma população de cerca de 117 mil pessoas, em que 50 mil possuem plano de saúde e 67 mil não tem. Não sou contra hospital público, a gente precisa pensar nas pessoas mais necessitadas. O governo precisa pensar nessas pessoas. O que tem que haver é uma cobrança sobre os planos de saúde, que recebem muito dinheiro e deveriam ter estruturas próprias para atender seus clientes”, argumentou Paulo Soares.
A mudança de atendimento no HCC está em fase de montagem da licitação. A Prefeitura já tem oito entidades filantrópicas habilitadas a concorrer no processo e abriu chamamento público para que a população opine sobre as diretrizes do edital. As contribuições e sugestões podem ser feitas por meio de formulário eletrônico disponível no site www.governoeletronico.gov.br, de 29 de maio a 12 de junho.
Entidades habilitadas:
– Hospital Regional Imaculada Conceição;
– Associação de Proteção à Maternidade e à Infância de Itabira (APMI);
– Instituto de Psicologia Clínica, Educacional e Profissional;
– Pró-Saúde Associação Beneficente e Assistência Social e Hospitalar;
– Irmandade Nossa Senhora das Dores;
– Irmandade Nossa Senhora das Graças;
– Instituto Nacional de Desenvolvimento Social e Humano;
– Fundação São Francisco Xavier.