Vereadores rejeitam pedido de abertura de impeachment de Damon

Procurador Jurídico da Câmara, José Maurício, deu parecer contrário a abertura do processo de cassação

Vereadores rejeitam pedido de abertura de impeachment de Damon
A Câmara Municipal de Itabira teve uma das reuniões mais agitadas do ano nesta terça-feira, 20 de outubro, com o plenário mais uma vez abarrotado. A principal pauta do dia foi a votação da abertura do processo de impeachment do prefeito Damon Lázaro de Sena (PV), apresentado pelo oposicionista Bernardo Mucida Oliveira (PSB).
 
Sob muito barulho, depois de uma longa e cansativa leitura de denúncia e parecer, os parlamentares rejeitaram o processo e as pilhas de documentos foram para a gaveta. Foram 14 votos contrários, dois a favor e uma abstenção. Para instaurar o processo, 2/3 dos vereadores precisavam votar a favor, ou seja: 12 dos 17 membros da Casa.
 
Votaram contra a abertura do processo de cassação de Damon: Rodrigo Diguerê, Zé Mauro, Sueliton Cordeiro, Pacelli, Paulo Soares, Toninho da Pedreira, Ilton Magalhães, Marcela Cristina, Ronaldo Capoeira, Lúcio Mauro, Tãozinho Leite, Jorge Chibanca, Solimar Silva e Júlio Contador.Votaram a favor: Allaim Gomes, que participou de sua primeira reunião ordinária como vereador, e Geraldo Torrinha. O Palhaço Batatinha se absteve.
 
Posse temporária
Como é o autor do processo, Mucida não pôde votar. Por isso, antes da reunião, tomou posse o primeiro suplente do vereador, Júlio Contador (PSB), ex-secretário de Planejamento de Damon. A posse temporária foi especialmente para votar a instauração do impeachment. Em entrevista antes da reunião, Contador não quis manifestar sua opinião acerca do processo, embora seja de um partido presidido pela oposição. Durante a votação, ele tentou justificar seu voto contrário, mas foi difícil ouvi-lo por causa do barulho que o público fazia.
 
Discussão e votação
O presidente da Câmara, vereador Solimar José da Silva (SD), precisou pedir “por favor” várias vezes a alguns manifestantes exaltados – tanto a favor quanto contra a instauração do processo de impeachment. Chegou a ameaçar suspender, em mais de uma ocasião, a sessão – tanto que no final o fez.
 
Depois de lido o resumo da denúncia de Mucida, um calhamaço com mais de 70 páginas, foi a vez do procurador Jurídico da Câmara, José Maurício Silva, ler o parecer, que teve assinatura do consultor Luciano Ferraz, de Belo Horizonte. Uma a uma o procurador foi desclassificando as denúncias de Mucida, ora afirmando que não havia “substrato o bastante”, ora afirmando que a questão já estava sob júdice e que não era da competência da Câmara julgar.
 
Quando abriu para discussão, Bernardo foi o primeiro a falar e voltou a defender, sob vaias e aplausos, suas denúncias, que vão desde contratos com empresas de consultoria e prestação de serviços ao estado de calamidade financeira em que Itabira se encontra.
 
Torrinha também falou e pediu licença a algumas pessoas que estavam de pé na frente das primeiras cadeiras para “cumprimentar” a superintendente da Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade, Sônia Cristina, a Kiki, e o secretário de Desenvolvimento Urbano, Geraldo Véio. Ele afirmou que em várias ocasiões chamou os referidos secretários para usar a tribuna da Câmara, mas eles não compareceram.
 
Diguerê, líder do governo, pediu a palavra logo em seguida e disse que Itabira passa por um momento difícil, mas que a solução dos problemas “não passa por politicagem”. “Acho que a resolução dos problemas passa por medidas justas amparadas pela Legislação”, declarou, também sob vaias e aplausos.
 
Bastidores
Antes de a sessão começar, os vereadores se reuniram reservadamente para discutir se o autor das denúncias, Bernardo Mucida, poderia ou não ficar em plenário. Os colegas queriam que ele saísse para que Júlio Contador tomasse seu lugar. O socialista, no entanto, discordou e permaneceu para fazer sua defesa.