Walter Delgatti afirma que equipe de Bolsonaro propôs forjar invasão de urna eletrônica
Hacker prestou depoimento à CPI nesta quinta-feira
A CPI sobre os atos golpistas de 8 de janeiro ouviu, nesta quinta-feira (17), Walter Delgatti, preso por invadir o sistema da Justiça Eleitoral brasileiro. Em seu depoimento, o hacker afirmou que o próprio Jair Bolsonaro teria prometido indulto se ele tivesse problemas com a Justiça. Delgatti acrescentou que o ex-presidente promoveu ações para divulgar informações falsas sobre as urnas eletrônicas, mas não apresentou provas a respeito. O depoente é considerado peça-chave nas investigações sobre a tentativa de fraudar as eleições de 2022.
Embora tenha se apresentado à CPI com uma liminar do STF para ficar calado, Delgatti deixou claro que responderia a todas as perguntas. O hacker enfrenta problemas na Justiça desde 2019, quando o nome dele apareceu publicamente por ter invadido celulares de autoridades que atuavam na Operação Lava Jato. Em 2022, ele foi preso por não ter cumprido as medidas cautelares impostas, entre elas, a proibição do uso da internet.
À época, em depoimento à Polícia Federal, disse que voltou a atuar na internet porque tinha sido contratado para cuidar das redes sociais e o site da deputada Carla Zambelli, do PL. Em julho, Delgatti foi liberado para responder o processo em liberdade, voltando a ser preso no mês de agosto na operação da PF que investiga a invasão de computadores do Poder Judiciário.
No depoimento, afirmou que Zambelli mandou que ele inserisse um falso mandado de prisão para o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), no sistema do Conselho Nacional de Justiça, e que recebeu R$ 40 mil da deputada e assessores para tentar invadir sistemas do Judiciário.
Nesta quinta-feira (17), Delgatti disse que em 2022 participou de uma reunião na sede do PL, a pedido de Zambelli, e que nessa reunião, o marqueteiro Duda Lima solicitou que ele produzisse um código falso para ser inserida em uma urna eletrônica emprestada, cujo obejtivo era exibir, de forma enganosa, no dia sete de setembro, um mês antes das eleições, uma propoganda de que as urnas podiam ser violadas.
“Eles queriam que eu fizesse um código-fonte meu, não o oficial do TSE, e nesse código-fonte eu inserisse essas linhas que eles chamam de código malicioso, porque ele tem como finalidade enganar, colocar dúvidas na eleição. A ideia foi do Duda”.
Indagado pela deputada Eliziane Gama se não seria um código-fonte, Delagatti respondeu que “do TSE, não!. “Seria feito para mostrar que a urna, se manipulada, poderia sair um outro resultado”, completou.




