Wilson Brumer assume presidência da Usiminas

    Marco Antônio Castello Branco (e), atual presidente da empresa, e Wilson Brummer, que assumirá o posto máximo da Usiminas no fim do mês Marco Antônio Castello Branco anunciou segunda-feira que deixa a presidência da Usiminas em 30 de abril, fim de seu contrato de 2 anos. Assume a cadeira o presidente do Conselho […]

 

Marco Antônio Castello Branco (e), atual presidente da empresa, e            Wilson Brummer, que assumirá o posto máximo da Usiminas no fim do mês  -            (Jackson Romanelli/EM/D.A Press)  
Marco Antônio Castello Branco (e), atual presidente da empresa, e Wilson Brummer, que assumirá o posto máximo da Usiminas no fim do mês
Marco Antônio Castello Branco anunciou segunda-feira que deixa a presidência da Usiminas em 30 de abril, fim de seu contrato de 2 anos. Assume a cadeira o presidente do Conselho de Administração da siderúrgica, Wilson Brumer. Ele foi presidente da Vale, da ArcellorMittal Aço Inox Brasil (ex-Acesita), da mineradora BHP Billiton e secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico no primeiro mandato do governador Aécio Neves. O fim do estilo “linha dura” já era esperado pelos funcionários e pelo mercado. O novo presidente disse, em coletiva à imprensa, que “não há vencedores e nem vencidos” nesse processo, garantiu a continuidade do programa de investimento e prometeu um “novo estilo” de gestão.

Castello Branco saiu da presidência mundial da siderúrgica francesa Vallourec há dois anos para assumir a presidência de uma das principais siderúrgicas da América Latina, a Usiminas, com o desafio de liderar um projeto agressivo para a expansão da companhia. Ele disse que fez “grandes trabalhos que deixarão frutos agora”. Entre eles, a redução de custos por meio da reestruturação do Recursos Humanos e da carta de fornecedores, o que, para ele, gera reações. “Toda relação gera um custo político. Em momento nenhum abri mão das modificações necessárias e assumi o risco político delas. Sempre fiz isso com a aprovação do Conselho (de Administração). Não me arrependo de nenhuma delas”, declarou.

Conforto

Ao lado de Brumer, teceu elogios ao novo presidente. “Ele vai trazer grande conforto do ponto de vista da conciliação e de não abrir mão da direção dos negócios. Vai eliminar essa fonte de desgaste, que é natural, dadas as transformações que vi necessárias”, afirmou. O “desgaste” vai do chão de fábrica ao cliente. Teria feito, por exemplo, com que a siderúrgica perdesse mercado para a concorrente Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) até mesmo dentro da Fiat Automóveis, tradicional cliente da Usiminas. O resultado foi a perda da liderança nacional do mercado de fornecedores de aço para a indústria automotiva, na qual chegou a deter 65% de participação. Em 2009, castigada, como todas as outras siderúrgicas, pela crise mundial,o lucro líquido da companhia foi de R$ 1,34 bilhão, ante R$ 3,22 bilhão em 2008.
 

 
Os funcionários da usina de Ipatinga (Vale do Aço) ainda brigam na Justiça por reajuste salarial referente a data-base de 2009. O presidente do Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos de Ipatinga (Sindipa), Luiz Carlos Miranda, espera que o díssidio coletivo, inédito na história da siderúrgica, seja a primeira “batata-quente” a ser resolvida por Brumer. “Ele já me ligou para convidar para uma conversa. Estou disposto a resolver os impasses. Queremos ser parceiros, mas vamos ser intransigentes na defesa dos trabalhadores”, disse. Segundo Miranda, uma assembléia foi convocada para o próximo dia 20 com os metalúrgicos da Usiminas e de outras 15 empresas do Vale do Aço.

Brumer deixará de lado a sua empresa, a Winbros, voltada para o setor de bionergia, para se concentrar no novo desafio. Segundo ele, o que muda na Usiminas é a forma de gerir a empresa. “O meu estilo é mais conciliador. Por isso, todos precisam ter tranquilidade. A minha preocupação será a de termos um ambiente saudável e no sentido de cada vez mais agregar valor à empresa”, frisou. Foi apresentado ainda o novo presidente do Conselho de Administração, Israel Vainboim, hoje no conselho do Itaú Unibanco, Souza Cruz e Embraer, indicado pela acionista Nippon Steel. Na área minero-siderúrgica, Vainboim passou pela presidência da Companhia Siderúrgica de Tubarão (CST) e da gigante do setor de alumínio Alcoa.

Mercado

O mercado aprovou a nova diretoria executiva da Usiminas. “Castello Branco, embora seja muito competente, estava praticando um estilo muito agressivo, mexendo em muita coisa ao mesmo tempo, sendo que a Usiminas é uma empresa muito tradicional, uma antiga estatal. Brumer entende do setor e, mais que isso, é um homem que vai agregar valor de mercado à Usiminas, assim como fez na Vale e na Cemig”, avaliou o presidente da Associação dos Analistas e Profissionais de Investimentos do Mercado de Capitais de Minas Gerais (Apimec-MG), José Domingos Vieira Furtado.