O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), foi ao Senado Federal nesta segunda-feira (9) para protocolar um pedido de impeachment contra o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes. O documento tem assinatura do presidente nacional do partido, Eduardo Ribeiro, além de deputados e senadores da sigla.
Atualmente, já existem pelo menos 65 pedidos de afastamento do ministro em tramitação no Congresso desde 2019. No entanto, nenhum deles avançou para abertura formal de processo.
Zema critica atuação do ministro
Após protocolar o pedido, Zema concedeu entrevista coletiva ao lado de parlamentares do Novo. Segundo ele, participou do ato “mais como um brasileiro indignado do que como governador de Minas”.
Além disso, o governador afirmou que o país precisa discutir limites institucionais. Para ele, algumas decisões recentes geraram preocupação em parte da população.
“O que temos assistido nas últimas semanas é algo estarrecedor. Algumas pessoas parecem se considerar acima da lei”, declarou.
Comparação com impeachments anteriores
Durante a coletiva, Zema citou processos de impeachment que já ocorreram no Brasil. Ele lembrou os casos dos ex-presidentes Fernando Collor de Mello e Dilma Rousseff.
Segundo o governador, o mecanismo de impeachment também pode ser aplicado a ministros do Judiciário. Por isso, ele defende a análise do pedido pelo Senado.
Suspeitas envolvendo banqueiro
Zema também mencionou denúncias sobre supostas relações entre Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro. O empresário foi preso recentemente sob suspeita de fraudes financeiras e tentativa de intimidação de testemunhas.
De acordo com o governador, as suspeitas precisam ser investigadas com transparência. Ele afirmou ainda que a maioria dos magistrados atua com correção.
No entanto, segundo ele, casos polêmicos podem prejudicar a imagem do Judiciário.
Cobrança a Lula e à OAB
Além das críticas, Zema cobrou posicionamento do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele também pediu manifestação da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e de entidades do meio jurídico.
Para o governador, essas instituições deveriam se posicionar diante das denúncias e do debate institucional.
“Quem está calado parece concordar com o que está acontecendo”, afirmou.
Contexto político
O episódio ocorre em meio ao aumento das críticas de setores da oposição ao Supremo Tribunal Federal. Além disso, Zema também se movimenta no cenário nacional.
O governador é apontado como pré-candidato à Presidência da República. Ele deve deixar o cargo no governo de Minas nas próximas semanas para iniciar a campanha eleitoral.