Primeiros venezuelanos remanejados de Roraima são acolhidos na capital paulista
De acordo com a Casa Civil do governo federal, que coordena o processo de interiorização, um total de 116 imigrantes decolaram de Roraima com destino à capital paulista
Os primeiros venezuelanos levados para São Paulo como resultado do processo de interiorização desenvolvido pelo governo federal e pela ONU chegaram nessa quinta-feira, 5 de abril, à capital paulista. Inicialmente, foram 74 homens encaminhados para o Centro Temporário de Acolhimento (CTA) do governo municipal localizado em São Mateus, na zona leste da cidade. A Secretaria Municipal de Assistência Social informou estar preparada para receber um total de 160 imigrantes até esta sexta-feira, 6.
Já a Missão Paz – entidade da sociedade civil que acolhe imigrantes, conhecida também como Casa do Migrante –, localizada no bairro do Glicério, centro da cidade, recebeu 18 venezuelanos, sendo que seis são crianças. Segundo o padre Paolo Parisi, que coordena a entidade, há capacidade para acolher até 39 pessoas no local. Além do CTA de São Mateus e da Missão Paz, o CTA de Santo Amaro, na zona sul, também deve receber venezuelanos até amanhã.
De acordo com a Casa Civil do governo federal, que coordena o processo de interiorização, um total de 116 imigrantes decolaram de Roraima com destino à capital paulista, trazidos por aviões da Força Aérea Brasileira (FAB). Nesta sexta, mais 83 imigrantes devem desembarcar na cidade.
Só solteiros
Diferentemente da Missão Paz, que abriga famílias, o contingente de venezuelanos enviado aos equipamentos municipais inclui somente homens e mulheres solteiros. Segundo o secretário municipal de Assistência Social, Filipe Sabará, essa definição se deu para que o acolhimento fosse feito de forma organizada. “Foi uma decisão conversada com o Alto Comissariado [para Refugiados] da ONU, já que no passado houve uma dificuldade de organização de acolhimento para imigrantes. Então, nossa decisão foi priorizar homens e mulheres solteiros nesse grupo inicial de 300 pessoas, para que a gente possa entender o fluxo, os processos e o encaminhamento correto dessas pessoas”, disse.
Entre os anos de 2014 e 2015, a capital paulista teve uma experiência negativa na acolhida de imigrantes haitianos. Muitos não se adaptaram aos lugares em que foram alojados, que eram os antigos albergues para população em situação de rua e não tinham estrutura adequada às suas necessidades. Agora, de acordo com Sabará, os equipamentos de acolhimento, mesmo aqueles originalmente construídos para a população em situação de rua, estão com uma estrutura melhor.
Empregos
Segundo a Prefeitura de São Paulo, os CTAs de São Mateus e Santo Amaro ficarão exclusivos para atendimento dos imigrantes venezuelanos neste momento. O prazo de permanência deles nos centros de acolhimento não foi definido, mas, segundo o município, “historicamente imigrantes tendem a se desenvolver e encontrar um emprego rapidamente. Nosso papel agora vai ser acolher essas pessoas da melhor forma e viabilizar o contato com as empresas”.
“Estamos fazendo [contato] com a Câmara de Comércio da Espanha, da Venezuela e de outros países de língua espanhola, para que possamos conseguir vagas de empregos para essas pessoas que, em sua maioria, têm ensino médio ou superior”, falou secretário municipal de Assistência Social, Filipe Sabará.