Risco de rompimento de barragem obriga moradores de Barão de Cocais a engavetar projetos

A dona de casa Cristina Vieira Pereira fabrica linguiça em casa para vender. A boa aceitação do seu produto a levou a querer ampliar a produção e melhorar a renda da família. Cristina estava muito feliz no início de março porque conseguiu a habilitação da prefeitura para oficializar o seu negócio e já estava pronta […]

Risco de rompimento de barragem obriga moradores de Barão de Cocais a engavetar projetos
Cristina estava preparada para ampliar sua produção de linguiça caseira

A dona de casa Cristina Vieira Pereira fabrica linguiça em casa para vender. A boa aceitação do seu produto a levou a querer ampliar a produção e melhorar a renda da família. Cristina estava muito feliz no início de março porque conseguiu a habilitação da prefeitura para oficializar o seu negócio e já estava pronta para implantar o projeto de uma cozinha mais equipada, projeto feito com a ajuda da administração municipal, nos padrões exigidos pela legislação.

Mas nos últimos dias, Cristina deixou seus planos para trás. A sua única preocupação agora é estar preparada para o rompimento da barragem de minério da Vale, em Barão de Cocais, onde ela mora. Desde a noite da sexta-feira, 22 de março, quando a sirene tocou na cidade elevando para nível 3 o risco de rompimento da barragem Sul Superior, da Mina de Gongo Soco, a população da cidade vive em estado de alerta máximo. Ontem, segunda-feira, dia 25, todos os habitantes foram convocados a participar de uma simulação de evacuação da cidade. “Com esse possível rompimento de barragem, eu nem sei mais se vamos continuar em casa. A sensação é de estarmos parados no tempo”, declarou. 

Emília ia começar a tão sonhada reforma da casa, mas agora teme, inclusive, perder a moradia

Outra moradora de Barão de Cocais, Emília de Jesus Gonçalves, tinha acabado de juntar um dinheiro para reforma da casa, mas, assim como Cristina, está paralisada em seus projetos. “Eu quero fazer melhorias na minha casa, é um sonho meu e da minha família. Mas depois começo com a obra, ajeitamos tudo da forma que pensamos e eles tiram a gente da nossa casa”, disse. O rompimento da barragem Sul Superior atingira cerca de 3.000 residências de Barão de Cocais, o que dá em torno de 9.000 famílias. Não há data prevista para uma solução sobre a barragem da Vale na cidade. Atualmente, cerca de 400 moradores que têm casas na zona de autossalvamento estão vivendo em hotéis, devido ao risco de rompimento da represa, no primeiro alerta dado, ainda no nível 2, em 8 de fevereiro.