Em comunicado aos alunos, Átria Eventos diz a formandos que vendeu a empresa
A história dos alunos que foram surpreendidos pelo calote da empresa Átria Eventos ainda não terminou. Depois da empresa ter sumido e deixado diversas turmas de estudantes sem formatura, inclusive em Itabira, um comunicado informando sobre a venda da Átria Eventos e transferindo as responsabilidades contratuais para a nova gestão foi enviado para alguns formandos. […]

A história dos alunos que foram surpreendidos pelo calote da empresa Átria Eventos ainda não terminou. Depois da empresa ter sumido e deixado diversas turmas de estudantes sem formatura, inclusive em Itabira, um comunicado informando sobre a venda da Átria Eventos e transferindo as responsabilidades contratuais para a nova gestão foi enviado para alguns formandos.
“A ATRIA EVENTOS LTDA vem por meio deste comunicado reafirmar seu respeito e compromisso com seus clientes.Ressalta que todos os eventos já contratados serão devidamente realizados e são de inteira responsabilidade da empresa CRISTIANO RODRIGO RICARDO MARTINS – ME representada pelo Sr. Cristiano Rodrigo Ricardo Martins e a Sra. Maria Débora da Silva, que através de contrato celebrado assumiram o cumprimento de todas as obrigações relativas aos contratos firmados pelas comissões junto à Atria, pelo que toda e qualquer questão poderá ser dirimida junto aos representantes da empresa retro citada. Dessa forma, mais uma vez reitera que todas as providências necessárias estão sendo tomadas a fim de que a empresa contratada arque com seus compromissos e responsabilidades”- Enviado no dia 21 de maio
No e-mail assinado pela empresa, o departamento jurídico afirma que os novos proprietários da Átria Eventos são Cristiano Rodrigo Ricardo Martins e Maria Débora da Silva. Porém. os próprios citados encaminharam um informativo também via e-mail para mais de 55 membros de diferentes comissões de alunos negando a compra. Posteriormente, Cristiano enviou novo e-mail aos alunos informando a compra da carteira de clientes e que teria uma reunião marcada para o dia 14 de maio com a proprietária da Átria, Silvana Pinheiro Diniz, mas ela não compareceu. No e-mail, Cristiano afirma ainda aos alunos que a Átria Eventos abriu falsos boletins de ocorrência contra seus ex-funcionários.
“O Sr. Cristiano Martins, vem por meio desta ESCLARECER os seguintes fatos: A Proprietária da empresa ATRIA EVENTOS Ltda. fez aos seus clientes COMUNICADO fantasioso e inverídico informando que a empresa do Sr. Cristiano assumiria a responsabilidade por todos os contratos de eventos a serem realizados. A Proprietária da Empresa vendeu sua carteira de clientes a diversas empresas. Em reunião datada de 14/05/2019, marcada para a definição se o Sr. Cristiano realmente assumiria estes encargos, a Sr. Silvana não compareceu e abriu falsos boletins de ocorrência contra seus EX-FUNCIONÁRIOS. DESTA FORMA, a empresa do Sr. CRISTIANO não tem qualquer responsabilidade sobre eventos que foram contratados com a ATRIA EVENTOS LTDA.” E-mail enviado no dia 22 de maio.
Angústia
Desde o dia 29 de março, o estudante de engenharia civil Elton Jesuíno aguarda uma resposta para a empresa a respeito dos bailes de formatura que iriam acontecer em 2022. O contrato fechado para 14 alunos das comissões de Engenharia Civil e Produção de Itabira contemplava uma festa no valor de R$ 83 mil.
Elton conta que em novembro de 2018 a turma de formandos começou a pagar os boletos correspondentes à festa. Cada estudante desembolsou mais de R$ 900 até o momento, somando um calote de aproximadamente R$12 mil. “Entramos em contato por diversas vezes, mas sem retorno. Além da nossa comissão, outras turmas também contrataram a Átria Eventos”, conta o estudante.
O medo maior dos formandos, além do prejuízo financeiro, é em relação aos próximos boletos que serão gerados constando dados pessoais de cada um, como CPF. “Foram feitos alguns questionamentos quanto á inadimplência, mas ainda não sabemos se, além do calote, ainda teremos os nomes negativados pelo fato de o contrato ainda está ativo.”, ressalta Elton.
Polícia
Mariely Gonzaga é estudante do 5°período de fisioterapia e faz parte de uma das comissões abandonadas pela Átria Eventos. De acordo com a jovem, a turma registrou um boletim de ocorrência junto a Polícia Militar de Itabira contra a empresa. “Recomendaram para quem é de Belo Horizonte fazer boletim na delegacia especializada em investigação de estelionato”, conta
Sem baile
Os formandos que ficaram sem festa no dia 18 de maio também receberam um posicionamento de uma ex-funcionária da Átria. Segundo ela, as informações sobre a possível venda faziam parte de uma estratégia para despistar a atenção do golpe. A reportagem tentou contato com a Átria Eventos, mas os telefones que eram da empresa dão a mensagem de que o número não existe.
