De álbum novo, Nath Rodrigues busca seu próprio “fio” com público itabirano
Multi-instrumentista será uma das atrações de hoje do 2º Festival de Música de Itabira
Cantora, instrumentista e compositora, a sabaraense Nath Rodrigues será uma das atrações da terceira noite do 2º Festival da Música de Itabira. Ao lado do músico João Myrrha, a cantora apresentará ao público itabirano seu novo trabalho, o álbum “Fio”, cujo nome remete, também, a conexões feitas durante o seu processo de elaboração.
Pois é buscando seu próprio fio com o público presente na Fazenda do Pontal, que Nath Rodrigues apresentará todas as músicas do álbum neste sábado. Com nove faixas e quase 26 minutos de duração, a obra está disponível nas plataformas digitais desde ontem (13).
À DeFato Online, Nath Rodrigues e João Myrrha, parceiro da artista em O Fio, comentaram sobre o novo trabalho, influências e, claro, a participação no 2º Festival da Música de Itabira. Leia a entrevista completa logo abaixo!

DeFato: Quais as expectativas para a noite de hoje?
Nath: É o primeiro festival que a gente faz in loco depois que a vida social voltou a se abrir. É sempre muito bom tocar para um público, e o festival tem esse frisson de outras pessoas participando com suas músicas. É um ponto de encontro muito legal para outros músicos se conectarem.
João: Acho que a Nath falou sobre o ponto mais massa de um festival, que é essa conexão, vindo músicos de vários lugares. E ainda mais agora, que podemos voltar a encontrar a galera presencialmente, indo para outras cidades mostrar o som às pessoas.
DeFato: São dois estilos que se complementam?
Nath: Existe uma afinidade musical e pessoal grande. Como “Fio” tem a característica de ser um duo, tendo alguém no universo eletrônico preparando os beats – que são as camadas do disco – e eu com voz, violino e composições, é um universo híbrido. Até falamos sobre isso na viagem, sobre como a música está muito aberta para esse encontro do real com o digital, porque acho que não tem mais passo para trás, a tecnologia vai fazer parte da nossa vida cada vez mais.
DeFato: Fale um pouco sobre o novo trabalho. Pretende tocar músicas dele na noite de hoje?
Nath: Hoje tocaremos todas as músicas do Fio, aproveitando que o festival abre essa possibilidade de tocarmos mais tempo além da música avaliada. O Fio é um disco relativamente curto, e aí é a possibilidade de levar o trabalho in loco, somos o nosso próprio algoritmo.
DeFato: Você, Nath, também se dedica à pesquisa sobre o impacto da música em nosso corpo, mente e espírito. Pensando nisso, como cada um de vocês se sente após uma apresentação musical?
Nath: A música é uma ferramenta que mexe com absolutamente tudo em nosso corpo. Ela é um processo, antes de qualquer coisa, físico. Não tem como não sermos atravessados pela música. Sou educadora musical e estudei, durante um tempo, a musicoterapia, uma vertente da música mais ligada à saúde. Então a gente observa principalmente esse aspecto, de como o nosso comportamento – tanto individual quanto social – muda, assim como nossas memórias. A musicoterapia não julga a música pela qualidade técnica, não existe bom ou ruim, existe memória musical. Há músicas que tem a ver com sua história mas não tem a ver com a minha. E esse processo durante o show é muito intenso. Pensando no repertório de hoje, por exemplo, eu fiz e gravei as músicas, acompanhei todo o processo de feitura delas, participei do projeto gráfico e audiovisual, então tudo é memória.
João: Cada um tem um sentimento muito particular com a música. Mas sentir que você está criando uma conexão com alguém, sem necessariamente usar uma palavra, uma conversa direta, dá uma sensação de leveza muito grande. É levar a pessoa em um lugar que você não conseguiria falando alguma coisa.
DeFato: Quais as suas principais nfluências?
Nath: Consumo muita coisa diferente na minha vida, acho que não saberia nem listar tudo que eu gosto. Minha formação inicial é como instrumentista, então tive contato com música de concerto, Mozart, Bach. Mas ao mesmo tempo minha família ouvia muito rádio, então cresci ouvindo pagode. Aí era um contraste muito grande, eu tocava Mozart e em casa ouvia Belo. E todas essas referências estão no que faço hoje, talvez não tão claramente, mas estão. E a música brasileira tem essa característica, de ser uma miscelânea de coisas, o Brasil é isso. Pela maneira como nossa miscigenação aconteceu, somos hoje um pouco bagunçados como sociedade, pois estamos no processo de entendermos quem a gente é como povo brasileiro, um povo que tem várias descendências além da europeia. E isso está na música também. Acho que todas essas coisas que ouvi estão no disco, que tem uma característica de poder se conectar com pessoas de qualquer lugar do mundo
João: O disco tem essa questão da brasilidade, mas é uma brasilidade moderna, que dá muito dessa universalidade. Ele está buscando linguagens e texturas diferentes do que se vê normalmente.
DeFato: Até a duração do disco está adaptada aos tempos de hoje? É uma audição curta…
Nath: Estamos operando no tempo digital. Instagram, Tik Tok, você não vê uma coisa por mais de 15 segundos. E aí imagina o desafio que é hoje prender a atenção de uma pessoa para algo que você passa um, dois anos elaborando. É um desafio grande que todo mundo está vivendo em várias esferas. Mas a gente conseguiu, de um jeito interessante, ter um álbum com uma narrativa – começo, meio e fim. Inclusive tem uma faixa chamada “Intro” e outra que chama “Outro”, que é até uma brincadeira de in e out, mas ao mesmo tempo é curto. Então acho que é assim mesmo, essa coisa do híbrido, o digital cada vez mais presente no nosso comportamento
DeFato: Por que o nome Fio?
Nath: O Fio nasceu no auge da pandemia, naquele momento de confinamento total. Antes da pandemia estourar, lancei um disco em 2019, o Fractal, e eu estava no processo de começar a circular com ele de forma mais intensa, até que tudo parou. Daí eu já tinha algumas coisas escritas e comecei a maturar elas em casa, troquei mensagens com o cido, que é o produtor. Eu mandava umas letras, às vezes cantarolava um pedaço, ele me mandava uns beats de volta, e o disco foi nascendo assim. Então tem muito a ver com essa coisa da conexão, e conexão imediatamente me remete ao fio. Ainda que a conexão seja digital, esse elã, essa coisa que conecta a gente, é um fio, mesmo invisível. Então é uma maneira de ler esse momento, de uma forma mais leve, de uma maneira que possa mover o corpo, as pessoas possam dançar e fritar um pouco menos, porque já fritamos muito.
Lançamento oficial
Uma das principais atrações de hoje, Nath Rodrigues também convida o público para o lançamento oficial do disco Fio. Será no dia 10 de junho, em Belo Horizonte, na casa de shows “Autêntica”. A artista, natural de Sabará, se apresentará na mesma noite que a cantora Xênia França.
Sobre o evento
Organizado e produzido pela Prefeitura de Itabira, por meio da Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade (FCCDA), o 2º Festival da Música de Itabira conta com a parceria da agência Origami Propaganda, e tem como objetivo valorizar, movimentar e incentivar a produção autoral local.
Além de Nath Rodrigues e João Myrrha, também deverão se apresentar no sábado os “Órfãos do Brás”, “Tão Alheio”, “Matheus Macávima” e “Caos e Vigília”.




