Justiça decreta prisão preventiva dos PMs acusados de execução no Rio

Vídeo flagra policiais militares executando dois homens no Rio de Janeiro

Justiça decreta prisão preventiva dos PMs acusados de execução no Rio

O juiz Marcello de Sá Batista, em audiência de custódia realizada nessa sexta-feira, 31 de março, na sede do Tribunal de Justiça do Rio, converteu em preventiva a prisão em flagrante dos dois policiais militares acusados de executar dois homens durante confronto na tarde de quinta-feira (30), na Fazenda Botafogo. O crime ocorreu durante operação realizada perto da Escola Municipal Jornalista Daniel Piza, que fica na região. Na hora do confronto, a estudante Maria Eduarda Alves da Conceição, 13 anos, que participava de uma aula de educação física na quadra do colégio, acabou atingida por uma bala perdida e morreu.

Na decisão o juiz Marcello Batista disse que as condutas em tese praticadas pelo cabo Fábio de Barros Dias e o sargento David Gomes Centeno são de extrema gravidade e exteriorizam um comportamento que demonstra haver efetivo risco à coletividade com a reinserção dos custodiados ao convívio social, "bem como às fileiras da corporação".

“No momento, com os fatos verificados com os elementos de provas apresentados, se constitui como no mínimo temerária a possibilidade dos custodiados voltarem às ruas portando armas utilizadas em guerra, converto a prisão em flagrante, em prisão preventiva”, escreveu o magistrado.

Em um vídeo que denunciou a ação dos PMs, dois homens aparecem caídos, aparentemente feridos, e ao lado de um deles, há um fuzil. Na cena, aparecem dois policiais com fuzis na mão. Um deles pega o fuzil que está no chão, coloca atravessado no ombro e, em seguida, usando o fuzil da corporação atira à queima-roupa no primeiro homem, que está deitado. O outro policial passa a frente, e faz o mesmo com o outro que também está deitado no chão. Os dois morrem na hora.


O caso está sendo investigado pela Corregedoria da Polícia Militar. O porta-voz da Polícia Militar do Rio de Janeiro, major Ivan Blaz, comentou o caso e disse que é preciso rever protocolos e coibir ações mal elaboradas, mas destacou que atualmente os policiais vivem “um contexto caótico” e “grave”.