Entidades ligadas à Secretaria de Educação estão com mais de R$ 1,4 milhão de verbas atrasadas

Associação Nosso Lar atende a 170 crianças em Itabira

Entidades ligadas à Secretaria de Educação estão com mais de R$ 1,4 milhão de verbas atrasadas

Creches nos bairros Amazonas, Santa Marta e Praia, em Itabira, correm o risco de suspenderem as atividades ou até mesmo fecharem as portas. As unidades administradas pela Associação de Proteção à Infância Nosso Lar estão com quatro meses de repasses pendentes da Prefeitura de Itabira, referentes ao ano passado. Sem o dinheiro, 170 crianças podem ser prejudicadas.

O socorro foi feito pela associação à Câmara de Vereadores. A presidente da entidade filantrópica, Joanita Peluchi, enviou ofício ao órgão pedindo apoio dos parlamentares.

Conforme o documento, a parcela referente ao mês de janeiro de 2017 foi paga pela atual administração municipal. No entanto, estão pendentes os repasses dos meses de setembro, outubro, novembro e dezembro de 2016. “Isso compromete em muito a eficácia dos nossos trabalhos”, lamentou a dirigente.

A Associação de Proteção à Infância Nosso Lar tem 39 anos de existência. Na sede da creche, no bairro Amazonas, 70 crianças são atendidas. Já as unidades do Santa Marta e Praia atendem a 50 pequenos, cada uma.

“Quando chegarmos à situação de ter que pagar as obrigações e não podermos abastecer a creche com alimentação e material de limpeza suficiente para o funcionamento com segurança para as crianças, seremos obrigados a não recebermos essas crianças”, cita o ofício.

Dívidas “congeladas”

O Secretário de Educação de Itabira, José Gonçalves Moreira, confirmou o passivo com a associação Nosso Lar. Segundo ele, a dívida é de aproximadamente R$ 330 mil.

No entanto, outras entidades também têm repasses a receber da Prefeitura de Itabira, que são referentes ao ano de 2016, da gestão de Damon Lázaro de Sena (PV).

A Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de Itabira é outra entidade que sofre à espera do dinheiro. A pendência está na ordem de R$ 800 mil, segundo José Gonçalves. “Somando a Nosso Lar, Apae e outras entidades dá R$ 1,4 milhão de repasses atrasados. Tudo do ano passado”, lamentou o secretário.

O também professor efetivo da rede municipal e estadual disse que a estratégia adotada pelo município, por ora, é “congelar a dívida” e pagar o atual exercício, isto é, os repasses de janeiro em diante.

De acordo com ele, uma série de cortes são visados para que seja possível gerar caixa para pagar os dividendos. “Na secretaria de Educação estamos promovendo cortes no sentido do custeio da gasolina, por exemplo; redução no consumo de água e luz; aproveitando o máximo das pessoas trabalhando nas escolas e evitando contratações para gerar dinheiro e saldar dívidas”.

José Gonçalves pontuou ainda que todas as entidades são chamadas à seção para que os convênios sejam rediscutidos. Uma parte das creches conveniadas, por exemplo, deverá passar para a administração direta da Prefeitura, reduzindo os gastos com terceiros.