Adolescente encontrada em Monlevade confessa que fugiu de casa

Débora Maranhês havia dito que foi sequestrada, mas voltou atrás e confessou que fugiu de casa

Adolescente encontrada em Monlevade confessa que fugiu de casa

A adolescente Débora Maranhês, desaparecida desde a noite do último sábado e encontrada em João Monlevade na madrugada desta segunda-feira, 22 de fevereiro, confessou à Polícia Civil que inventou um seqüestro, e que, na verdade, havia fugido de casa. A jovem, em depoimento à delegada Monique Bicalho, afirmou que se arrependeu da fuga e inventou a versão do seqüestro para não ser repreendida pela família. A razão pela qual a adolescente sumiu de casa não foi divulgada à imprensa.

História inventada

Débora Maranhês havia relatado à Polícia Militar que teria tomado um ônibus na avenida Cristóvão Colombo, na Savassi, por volta das 20h30, depois de assistir a uma sessão de cinema. A jovem de 15 anos teria sido assaltada dentro do ônibus e forçada a entrar em um carro por dois homens, com idades entre 30 e 40 anos, que roubaram dinheiro, documentos e o chip do seu celular.

Ela teria passado mais de 24 horas dentro do porta-malas do carro, e segundo Sandra Maranhês, mãe da jovem, ela foi abandonada por volta das 3 horas da madrugada desta segunda-feira (22) às margens da BR-381, tendo que caminhar até João Monlevade, onde foi acolhida por uma família do bairro Nova Esperança, que também chamou a polícia. Militares compareceram ao local e levaram a adolescente para o quartel da PM. Os pais dela foram avisados e vieram para João Monlevade acompanhar o caso.

Décio Vaz, pai da adolescente, disse que Débora teria ficado muito ferida, principalmente no pescoço, braços, pernas e abdome. Segundo ele, que conversou com exclusividade com o A Notícia, a filha está muito traumatizada e não conseguiu memorizar o rosto dos bandidos. 

A jovem ficou em observação das 11h às 16h de ontem (22) no Hospital Margarida e apresentava escoriações pelo corpo. Segundo a casa de saúde, ela fez exames de imagem, foi medicada e liberada. A mãe e o pai da jovem acompanharam os procedimentos. A Polícia Civil solicitou que a jovem e a família comparecessem à delegacia para prestar esclarecimentos dos fatos, o que ocorreu na Delegacia de Defesa da Mulher, em João Monlevade, no fim da tarde de ontem (22). Lá, Débora finalmente confessou que havia fugido de casa, e que toda a história do sequestro era mentira. 

Controvérsias 

O caso de Débora Maranhês estava repleto de lacunas que foram preenchidas com a confissão da fuga da adolescente. No primeiro boletim de ocorrências, ela declarou aos militares que teria sido sequestrada após descer de um ônibus na Praça da Rodoviária, no Hipercentro da capital. Já no registro lavrado em João Monlevade, Débora disse que o rapto ocorreu na Praça da Liberdade. Depois, mudou novamente a versão, e disse que foi capturada dentro da linha 4111 (Dom Cabral/Anchieta), enquanto passava pela avenida Cristóvão Colombo, na Savassi.

Segundo o delegado regional Bernardo Machado, a jovem declarou à Polícia que os bandidos roubaram o aparelho celular. Depois, ela apareceu com telefone nas mãos, e disse que os bandidos roubaram apenas o chip do aparelho. Além disso, inicialmente ela afirmou que não havia se ferido, para depois dizer que estava muito machucada pelas agressões.

Ainda segundo a Polícia Militar, no quartel em João Monlevade, Débora teria jogado no vaso sanitário uma carteira de identidade falsa, com data de nascimento de 1º de março de 1997, sendo que ela, na verdade, nasceu em 1º de março de 2000. O documento foi encontrado pelos militares. A Polícia Civil continua investigando o caso.