Tapa na mesa, bate-boca e suco de uva: CPI do MST começa com confusão entre parlamentares

As animosidades aconteceram entre deputados governistas e de oposição

Tapa na mesa, bate-boca e suco de uva: CPI do MST começa com confusão entre parlamentares
Foto: Lula Marques/Agência Brasil

A primeira sessão da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) teve um começo tumultuado e com bate-boca entre deputados governistas e da oposição. Com o plenário lotado, ocorreram tapas na mesa, gritarias e até distribuição de produtos agrícolas produzidos nos seus assentamentos do grupo. Também aconteceram muitas trocas de acusações.

Ricardo Salles (PL-SP), ex-ministro de Meio Ambiente no governo Jair Bolsonaro (PL), e relator da CPI do MST, causou polêmica já no início da sessão, quando foi acusado por deputados governistas de criminalizar o movimento antes mesmo do início dos trabalhos.

Para ampliar as divergências, o deputado Delegado Éder Mauro (PL-PA), também bolsonarista, definiu os integrantes do MST como “bandidos e marginais”, provocando a indignação da deputada Sâmia Bomfim (PSOL-SP), que retrucou dizendo que “marginal é defensor de torturador”, numa alusão ao ex-presidente Bolsonaro.

Exaltado, o deputado baiano Valmir Assunção (PT-BA) deu um tapa na mesa e, em resposta a Éder Mauro, disse: “não sou marginal, não vou admitir. Sou deputado também e não vou assumir que me chamem de marginal”.

Já a deputada federal Caroline de Toni (PL-SC) ponderou sobre a postura de alguns estudantes que assistiam a sessão e que davam apoio ao MST, dizendo: “não estou criticando vocês, vocês também são vítimas de uma doutrinação que está sendo praticada dentro das escolas”. Tal afirmação foi recebida com vaias por parte dos presentes. Arrematando, a deputada criticou seus colegas de oposição afirmando que eles usariam “bolsas da Louis Vuitton” mas não doariam seus recursos aos mais pobres.

O presidente da CPI, Tenente-Coronel Zucco (Republicanos), não escapou da provocação dos governistas. Sâmia Bomfim lembrou que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou que a Polícia Federal retome as investigações contra Zucco por ato antidemocráticos.

Durante seu mandato como deputado estadual, Zucco foi apontado pela Polícia Civil do Rio Grande do Sul como suspeito de ter incentivado um ato golpista em frente ao Comando Militar do Sul.

O Tenente-Coronel explicou, em breves palavras, que a postagem que motivou a investigação é de outubro de 2022 e que não teria incentivado os atos terroristas de 8 de janeiro, em Brasília.

Houve também “momentos de ternura”, quando a deputada Camila Jara (PT-MS), serviu ao relator, Ricardo Salles, e a outros parlamentares, suco de uva produzido em um dos assentamentos do MST para mostrar que as terras ocupadas pelo movimento são capazes de oferecer gêneros alimentícios de qualidade.

Salles provou do suco e admitiu que era muito bom, mas disse que não mudará sua linha de atuação na CPI.