Representantes da Vale reafirmam segurança de barragens na Câmara. “Mas e se…?”

Joaquim Toledo, gerente da Vale, respondeu a várias perguntas, mas uma não queria calar: “E se alguma barragem se romper?”

Representantes da Vale reafirmam segurança de barragens na Câmara. “Mas e se…?”
Gerentes e engenheiros da Vale apresentaram na Câmara Municipal de Itabira, nesta terça-feira, 24 de novembro, a situação das barragens do município, durante a reunião ordinária. A apresentação, solicitada pelos vereadores após a tragédia de Mariana, foi a mesma feita na reunião do Codema na semana passada. Além de engenheiros, participaram da reunião o gerente-geral da mineradora em Itabira, Fernando Carneiro, e o diretor de Ferrosos da Região Sudeste, Antonio Daher Padovezi.
 
Os profissionais reafirmaram, assim como no Codema, que as barragens de Itabira são 100% seguras e constantemente monitoradas e inspecionadas. Mesmo diante da apresentação detalhada e cheia de argumentos técnicos, feita pelo gerente de execuções de planejamento da Vale, Joaquim Toledo, e pelos engenheiros responsáveis pelas barragens, uma pergunta foi repetidas várias vezes: “E se alguma barragem se romper? Qual o plano de emergência?”.
 
O vereador Paulo Soares (PSB), por exemplo, citando uma líder comunitária do Bela Vista, insistiu na questão da sirene. Primeiro perguntou se Itabira tem sistema de alerta sonoro. O gerente disse que não. Depois questionou se era necessário. Toledo, após algumas explicações introdutórias, afirmou que também não. O representante da Vale até reconheceu que o plano de contingência, incluindo a comunicação dos riscos, precisa ser reavaliado em conjunto com a comunidade. Mas, na visão dele, não seria “apertando um botão” que todos seriam salvos de uma eventual catástrofe.
 
A mesma pergunta, sobre o que fazer em caso de acidente, foi repetida por outros vereadores. Em todas elas, o argumento dos representantes da Vale era o mesmo: as barragens foram construídas por empresas renomadas mundialmente e com critérios técnicos muito rigorosos. São estruturas compactadas a 98%, ou seja, a terra cortada e usada para compor o barramento volta em 98% à sua “vingindade”. É obra feita para suportar volume de chuva que só cai a cada 10 mil anos.
 
Na opinião técnica de Joaquim Toledo, as pessoas estão assustadas com o que aconteceu em Mariana e, por isso, estão partindo do princípio de que há risco iminente de rompimento em toda e qualquer barragem. Ele garantiu que, dentro dos parâmetros da engenharia, não há anomalia em nenhuma das 27 barragens da mineradora em Itabira.  
 
Plano de emergência
A discussão a respeito do plano de emergência, contudo, precisa avançar, segundo os próprios representantes da Vale. Sem dar detalhes, Joaquim Toledo disse que atualmente há um plano, inclusive de comunicação com a comunidade, mas muito focado no preventivo. É preciso fazer além do que exige a lei, reconhece ele.
 
Ao ser questionado a respeito da sirene, solicitada pela líder comunitária do Bela Vista, o engenheiro fez uma menção aos tornados nos Estados Unidos. Lá o mecanismo é necessário porque o tempo é curto entre a detecção do perigo e a mobilização das pessoas. No caso das barragens, qualquer sinal de problema poderia ser detectado com antecedência sem causar pânico.
 
Alteamento
Outra preocupação levantada pelos vereadores diz respeito aos alteamentos das barragens. Geraldo Torrinha (PDT) citou, por exemplo, a barragem de Itabiruçu, a maior em capacidade de reservatório de Itabira (230 milhões de m³), e que está em obras para mais um alteamento. A pergunta é se o projeto original, concebido lá nos anos de 1980, contempla as expansões. Joaquim disse que sim. Tanto que, segundo o gerente, haverá mais dois alteamentos na referida barragem para comportar a demanda por novas remessas de rejeito.
 
E quando a Vale for embora?
Questionamentos foram feitos também a respeito do fim da mineração em Itabira. A Vale continua responsável pelas barragens? Sim. Segundo os engenheiros, as inspeções, monitoramento e eventuais intervenções continuarão sendo de responsabilidade da mineradora. A menos que tal responsabilidade seja transferida legalmente a outra empresa ou instituição.