Alcançar uma vida centenária é para poucos, mas o senhor Milton de Carvalho Cardoso, mais conhecido como vovô Milton conquistou essa vitória. Ele nasceu em 1915 e no dia 4 de junho completou 100 anos, de uma vida com muita sabedoria, amor e felicidade.
Nascido em Nova Era, Milton morou em Ferros e depois se mudou para Itabira, onde trabalhou, casou e consolidou a vida. Hoje, ele mora com a filha, Eleanor, em Belo Horizonte. Milton foi casado por 61 anos com Maria de Lourdes, que faleceu há 10 anos. Eles tiveram cinco filhos, Consuelo, Cássio, Marcelo, Eleanor e José Luiz. Mais dez netos e onze bisnetos. A família é grande e muito unida.
Quando a Companhia Vale do Rio Doce chegou à Itabira, Milton, que é farmacêutico, inaugurou a extinta farmácia São Domingos, que funcionou por muitos anos na rua Água Santa, no centro da cidade. José Milton, 33 anos, neto do Milton, conta que naquele tempo o avô era considerado médico pelas pessoas. “Elas confiavam muito nele. Levavam as receitas dos remédios para perguntar se estava certo, se poderiam mesmo tomar. Inclusive, naquela época ele já manipulava remédios. Ele fez muito por essa cidade”, diz.
O neto José conta que Milton sempre foi uma pessoa exemplar. “Eu nunca o vi gritando ou brigando. É sempre carinhoso, atencioso e calmo”, conta. Segundo ele, o avô é atleticano doente, colecionador de selos e adorador de leite. “Desde criança que ele toma um litro de leite por dia. Para ele, esse é um dos segredos para se manter jovem e lúcido”, conta o neto.
Mas quando perguntamos para o vovô Milton qual o segredo da longevidade, ele respondeu sorrindo que é “não fumar, não beber, não jogar e não assistir novelas”, e claro, beber leite.
Virtudes
A filha do vovô Milton, Eleanor, afirma que “a alegria é uma virtude”, mas no caso do pai, a paciência também é. Na época do Natal, José lembra que ele e os outros netos sempre esperavam ansiosos por essa data, já que o avô inovava. “Ele nunca gostou de dar presentes, dava dinheiro. O vovô nos dava livros, tipo a bíblia, e dentro das páginas colocava notas de dinheiro. Ele era muito paciente e eu ficava pensando no trabalho que era para colocar cem reais em notas pequenas, como de dois ou cinco reais, pelas folhas”, diz.
Sorte
José acredita que é para poucos a sorte que ele e seus familiares possuem. “Eu tenho 33 anos, meu pai 73, mas ele tem a alegria de falar que vai visitar o pai dele que tem 100. A minha diferença com meu pai é de 40 anos, então será que daqui 40 anos, quando eu tiver 73, eu vou ter a mesma sorte que o meu pai? Provavelmente não, meu pai é sortudo”, finaliza o neto, que é muito orgulhoso do querido vovô Milton.