Governo avalia o retorno do horário de verão
A pior estiagem dos últimos 94 anos poderá provocar o retorno do horário de verão
Embora negue a necessidade premente do racionamento de energia, o ministro Alexandre Silveira, de Minas e Energia, afirma que não faltará energia em virtude da severa seca que atinge todas as regiões do país.
Mas, não descarta a possibilidade da volta do horário de verão caso a situação se agrave.
Em entrevista ao jornal Poder360, nesta terça-feira (10), Silveira admitiu que o país passa pela pior estiagem dos últimos 94 anos e por isso não é uma possibilidade remota; é uma alternativa a ser avaliada, ainda não há uma definição.
A habitual medida foi instituída no Brasil, pela primeira vez, no governo Getúlio Vargas, no verão de 1930/1932, com duração de cinco meses e abrangendo todo o território nacional.
O horário de verão foi extinto no país durante o governo Jair Bolsonaro, em 2019, quando se avaliou que não se justificava o pretexto de economia de energia.
“Não tem nada certo, mas é uma possibilidade. Apesar de ser controverso do ponto de vista da opinião pública, há uma pequena maioria que gosta, e mais do que isso, a economia agradece. A microeconomia, turismo, bares e restaurantes agradecem. Não é uma possibilidade descartada, mas não tem uma decisão ainda”.
O ministro afirmou, ainda, que quando há risco de faltar energia, o horário de verão se faz necessário, mas o cenário atual não é esse. “Por isso, o acionamento do mecanismo depende de uma conjugação de fatores”, e arremata que “essa medida poderia ajudar a aliviar o sistema, diluindo o pico de consumo no início da noite, quando a fonte solar deixa de gerar”.
“O horário de verão tem o resultado de resolver todo o problema de despacho de térmica na ponta (pico). Quando perdemos as energias intermitentes, em especial a solar no fim da tarde, é coincidente com a chegada das pessoas em casa, ligando o ar-condicionado, indo pro banho. Há um pico de demanda e consequentemente uma diminuição de oferta. Quando se utiliza o horário de verão, dilui essa demanda e a necessidade do despacho de térmicas. Quando são liberados do trabalho, as pessoas aproveitam mais o comércio, a praia e outras atividades com a luz do dia. Há um ganho no custo energético. E há também uma ampliação na segurança energética porque reserva mais capacidade térmica para utilizar em outros eventos”.
Alexandre Silveira ressalta que, o que está sendo feito é a racionalização de fontes e da estrutura do sistema elétrico, com o objetivo de evitar que a conta de luz suba demais ao se acionar termelétricas além da necessidade.
Silveira finaliza: “Queremos racionalizar ao máximo a estrutura do sistema elétrico e nossas fontes. Não tenho a menor dúvida da nossa garantia de segurança energética. Qual o desafio? Não deixar que a oscilação natural do sistema aumente a tarifa desnecessariamente”.
O horário de verão consiste em adiantar o relógio em 1h, provocando que as pessoas utilizem mais a luz do dia.




