“Mais esse abacaxi sobra no nosso colo”, diz prefeito sobre centro de internação para menores

“Não temos como construir isso num toque de varinha de condão”, disse prefeito

“Mais esse abacaxi sobra no nosso colo”, diz prefeito sobre centro de internação para menores
Na reunião promovida pela Acita, empresários e autoridades policiais na semana passada, o delegado Juliano Alencar foi claro e objetivo: sem centro de internação para os menores infratores, não há como resolver o problema da onda de assaltos que Itabira vem enfrentando. Na ocasião, uma representante da Prefeitura esteve no encontro e não levou boas notícias. Segundo ela, o projeto do centro não avançava porque o Estado havia reprovado todas as três áreas apresentadas pelo município para a construção do prédio.
 
Nesta quinta-feira, 14 de agosto, o prefeito Damon Lázaro de Sena falou sobre o assunto, durante uma entrevista a respeito de pesquisa sobre biogás no município. “É mais um abacaxi que sobra no nosso colo, como os abacaxis da Itaurb, da TV Cultura, das moradias e da segurança”, disse, em tom de crítica ao governo passado. Segundo ele, há entraves junto à Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds), mas também há resistência por parte dos moradores. É comum as pessoas não ficarem satisfeitas com um centro de detenção em seu bairro ou próximo à sua casa. Contudo, Damon revelou uma informação nova: já foi apresentada ao governo estadual uma quarta área e avaliada, segundo ele, com “entusiasmo”.
 
O prefeito não quis revelar a localização do tal terreno. “Definiu-se uma área, mas quero mantê-la em sigilo. Estamos num processo de discussão e não é muito bom que a gente externe essas informações porque isso causa uma ansiedade, uma discussão que não é própria para o momento”, explicou. O chefe do Executivo destacou que, apesar de segurança não ser dever do Município, a Prefeitura vai estar junto e contribuir no que puder para solucionar o problema envolvendo os menores infratores.
 
Ele lembrou que a discussão sobre a necessidade de Itabira ter um centro de internação vem de outros governos e que o projeto não se tornou realidade ainda por “falta de vontade política”. “Não vai ser em um ano e seis meses de governo que vou mudar toda essa realidade”, defendeu-se. “Não temos como construir isso num toque de varinha de condão”.
 
O centro de internação segue um projeto arquitetônico padrão e teria 45 vagas, sendo 25 delas dedicadas a Itabira. Custará em torno de R$ 4,5 milhões, dos quais a quantia de R$ 1 milhão aproximadamente já estaria assegurada em um fundo municipal. Perguntado se a Prefeitura teria dinheiro para arcar com a construção, o prefeito não deixou claro. Disse apenas que o município será parceiro no que for necessário.