Família não vai levar adiante os negócios de Rita Viana
Marina lembra que Rita sempre chamava as clientes prestes a se casar de “minha noiva”
A confeiteira Rita de Cássia Viana Bento, 51 anos, era muito conhecida e querida em Itabira e região. Familiares e amigos a descrevem como uma pessoa de coração enorme, que amava o que fazia e tinha um jeito especial de tratar cada cliente. Vítima de um trágico acidente automobilístico no dia 13 deste mês, Rita deixa saudade. Há cerca de um ano ela começava a colocar em prática o projeto de abrir sua loja, na avenida das Rosas, no Centro de Itabira, para atender a seu fiel público com mais comodidade. Mas o sonho foi interrompido por uma fatalidade.
De acordo com a filha Marina Viana Bento, 24 anos, e o marido Carlos Alberto Bento, a família não vai dar prosseguimento aos negócios. “A marca Rita Viana acabou”, disse a filha. Ao longo de mais de 20 anos, esta itabirana de carisma ímpar se tornou uma referência na cidade em confeitaria sofisticada voltada a casamentos, aniversários e festas do tipo. Muitos de seus clientes, não só de Itabira como da região, compravam com ela desde o começo.
Rita sempre nutriu o sonho de ter sua própria loja e reunia os recursos necessários para isso. Ela já tinha comprado os equipamentos, alugado o espaço e fazia a reforma para atender às exigências da Vigilância Sanitária. Antes de levar a ideia adiante, procurou o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) para aperfeiçoar seus conhecimentos em gestão.
Segundo Marina, sua mãe fazia os atendimentos, preparava as encomendas, cuidava da entrega e de todos os detalhes. O marido e as filhas sempre deram total apoio, mas sem ela, não há motivos para continuar.
Marina lembra que Rita sempre chamava as clientes prestes a se casar de “minha noiva”. Todas eram especiais. Em algumas situações, a noiva queria um bolo de casamento grande e completo, mas não podia pagar e acabava optando por um mais simples. Comovida, Rita perguntava à cliente as características do bolo dos sonhos e, no dia do casamento, fazia uma grande surpresa.
Ela também dava aulas de confeitaria para pessoas carentes. Tinha prazer em ensinar e passar adiante todo o seu conhecimento adquirido ao logo de tantos anos. Algumas ex-alunas eram sondadas, inclusive, para trabalhar na loja que pretendia abrir. “Ela não media esforços para ajudar o próximo”, conta Carlos, ao descrever a esposa como uma pessoa feliz, com muita vontade de viver e planos para o futuro.