Na região Sudeste, Minas Gerais detém o maior número de mortes no trânsito

Minas Gerais foi o Estado da região Sudeste onde mais aumentou o número de mortes por acidentes de trânsito

Na região Sudeste, Minas Gerais detém o maior número de mortes no trânsito

Enquanto o município de Contagem, na região Metropolitana de Belo Horizonte, demorou cem anos para que a população alcançasse 608 mil habitantes, em muito menos tempo – apenas 31 anos –, o trânsito brasileiro matou 980 mil pessoas, quase o somatório das populações de Contagem e Betim, de cerca de 1 milhão. Minas Gerais foi o Estado da região Sudeste onde mais aumentou o número de mortes por acidentes de trânsito entre 2001 e 2011, com um crescimento de 76%.

O “Mapa da Violência 2013 – Acidentes de trânsito e Motocicletas”, divulgado pelo Centro Brasileiro de Estudos Latino Americanos, nessa quinta-feira, 21 de novembro, mostra que 2.600 pessoas morreram em 2001 no trânsito mineiro. Em 2011, foram 4.576 – média de uma vítima a cada duas horas. Espírito Santo teve crescimento de 36,5% no número de mortes; São Paulo, 7%; e Rio de Janeiro, 2,1%. Em todo o país, Minas Gerais está em oitavo lugar no número de mortes.

“É alarmante o número muito elevado de mortes. O país conseguiu estabilizar as vítimas por automóveis nos últimos anos, mas é inacreditável o incremento anual de motociclistas que morrem a cada ano”, destacou o coordenador do estudo, Julio Jacobo Waiselfiz.

Os condutores de motocicletas são as principais vítimas do trânsito hoje, responsáveis pelo grande crescimento das mortes por acidentes nos últimos 15 anos. Em 1996, 0,9 pessoas (por 100 mil habitantes) morria por acidentes de moto. Em 2011, a taxa passou para 7,6 – aumento de 742,5%. De acordo com a projeção do estudo, em 2020 deverão morrer acima de 25,5 mil motociclistas. Se a taxa continuar crescendo na mesma tendência, chegará a 12 por 100 mil habitantes.

Quando o veículo é o automóvel, a alta é menor, de 41,2%, mas ainda também preocupa. Em 2011, as mortes por acidentes de carro chegaram a 6,5 pessoas por 100 mil habitantes. Em 1996, a taxa era de 4,6.

Para o vice-presidente da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet), Guilherme Durães, a alta da mortalidade no trânsito se deve principalmente as más condições das estradas e ao desrespeito dos motoristas. “As rodovias em Minas são extremamente mal cuidadas, e por isso se tornam muito perigosas. Além disso, temos uma frota de veículos velha e os motoristas, muitas vezes, não respeitam as leis de trânsito”.

Cirurgião geral de traumas no Hospital de Pronto-Socorro João XXIII (HPS), em Belo Horizonte, Guilherme Durães destaca que o perfil da maioria das vítimas de acidentes atendidas na unidade são motociclistas com menos de 30 anos.

Em Minas, em 2012, 18.150 pessoas foram hospitalizadas no Sistema Único de Saúde (SUS) após sofrerem colisões. Deste total, quase metade, 9.073, estavam em motos. No Brasil, 159 mil foram internados, 88 mil motociclistas.

Acidentes geram grandes gastos

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), os acidentes de trânsito são o primeiro responsável por mortes na faixa de 15 a 29 anos de idade, o segundo entre os 5 e 14 anos e o terceiro na faixa de 30 a 44 anos. Atualmente, esses acidentes representam um custo de US$ 518 bilhões por ano – entre 1% e 3% do Produto Interno Bruto (PIB) de cada país.

Em 2012, no Brasil, o custo das internações hospitalares por acidentes de trânsito no Sistema Único de Saúde (SUS), foi de R$ 210.750.485. Os gastos com as vítimas de moto representaram 48,4%. Em 2011, em função dos acidentes acontecidos nas rodovias do país, foram gastos R$ 34 bilhões até dezembro daquele ano. As estradas estaduais representaram 61% desse montante.

Média e baixa renda preocupam

Para as organizações mundiais, o problema dos acidentes no trânsito é mais grave nos países de média e baixa renda, como o Brasil. A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que 90% das mortes acontecem em países em desenvolvimento. Ao mesmo tempo, esse grupo possui menos da metade dos veículos do planeta (48%), o que demonstra que é muito mais arriscado dirigir um veículo — especialmente uma motocicleta — nesses lugares.

As previsões da OMS indicam que a situação tende a se agravar nesses países em função do aumento vertiginoso da frota, da falta de planejamento e de execução correta de projetos para o tráfego – principalmente nas grandes cidades – e do baixo investimento na segurança das vias públicas. (O Tempo)