A violência e a dor de uma mãe
A auxiliar de serviços gerais, 37 anos, mãe de um rapaz de 17 anos chegou a chamar a polícia para o rapaz
Em tempos em que a violência é tão debatida (e temida) em Itabira, DeFato Online foi atrás de quem sofre com as consequências dentro da própria casa. Não, a personagem dessa matéria não teve a residência assaltada ou foi vítima de algum crime. A mulher, chamada de Márcia pela reportagem (nome fictício adotado para preservar a identidade), é mãe de um jovem infrator e sente dentro da família o tamanho da destruição que as drogas podem provocar.
O que uma mãe é capaz de fazer para ver o filho adolescente longe das drogas e da criminalidade? A auxiliar de serviços gerais, 37 anos, mãe de um rapaz de 17 anos chegou a chamar a polícia para o rapaz. Somente neste ano, ele já foi apreendido inúmeras vezes. O adolescente, terceiro filho de quatro irmãos, é usuário de maconha desde os 12. Passou a consumir crack e, para sustentar o vício, começou a praticar furtos em construções, assaltos e até pegou peças de dentro de casa para vender.
Márcia trabalha em quatro condomínios e ainda faz diversas faxinas extras. Ela já não aguenta mais ter que ir à Delegacia de Polícia a cada vez que o rapaz se envolve em algum problema. “Só este ano, ele já foi apreendido umas 20 vezes ou até mais. Ele já apanhou na rua e até tomou três tiros este ano. Só não morreu porque Deus não deixou. Era uma segunda chance que Deus deu a ele”, relata.
A mãe confessou à reportagem que já pensou nas piores coisas para não passar pelo sofrimento de ver o adolescente se acabar no vício e na criminalidade: acorrentar o filho dentro de casa – ideia abolida após a orientação de um militar – e até mesmo em suicídio. Márcia só não o fez porque tem fé e acredita que o caso de seu filho vai ser solucionado.
No momento, o jovem está apreendido por cinco dias (pelo fato de ter menos que 18 anos), mas a mãe já tomou algumas medidas para preservar seus bens quando o rapaz voltar para casa: separou roupas, perfumes, cremes de cabelo e diversas panelas para serem guardadas na casa dos vizinhos. Recentemente, Márcia comprou um creme hidratante. Ainda nem pagou e o filho já furtou para vender.
Envolvimento com as drogas
Quando o rapaz tinha apenas 12 anos, Márcia começou a desconfiar que o filho estava envolvido com drogas. A confirmação veio no mesmo ano, quando ela passava por um beco em seu bairro e se assustou ao ver o menino na ocasião fumando maconha, o que a entristeceu muito. “Fiquei muito aborrecida, não é? Para uma mãe dói muito. Apesar de imaginar, eu não esperava nada disso”. Aos 17 anos, o rapaz passou para o crack e começou a roubar.
A mulher contou que apesar do envolvimento com as drogas, Davi é um rapaz de personalidade tranquila, não é agressivo e não é um filho ruim, pois não reage com violência às correções. “Até preso ele é tranquilo, tanto que os policias elogiam o seu comportamento”.
Em 2014, o rapaz atinge a maioridade. Ele interrompeu os estudos na 5ª série do Ensino Fundamental, mas tem o desejo de trabalhar, porém, pelo seu histórico, a mãe reconhece que é muito difícil as pessoas confiarem nele.
Internação
Sem contar com apoio familiar, a mulher, que já teve que trabalhar em até nove empregos de uma vez para não deixar faltar o necessário aos quatro filhos, deposita a esperança numa internação. Há cerca de três meses, Márcia tenta ajuda com diversas pessoas para a internação do rapaz em uma clínica de recuperação, pois crê que de lá ele sairá uma pessoa melhor, transformada. “Já passei por muita coisa em minha vida. Mas passar por isso, não é fácil, não. Já morei até em um galinheiro, mas eu era feliz e não sabia”, desabafa.