Hospital de BH faz primeira captação própria de córneas
Procedimento no Hospital Célio de Castro ocorreu após morte por parada cardíaca e pode ampliar a participação da rede municipal na fila de transplantes
O Hospital Metropolitano Doutor Célio de Castro, em Belo Horizonte, realizou a primeira captação de córneas com equipe própria em um doador que morreu por parada cardíaca. O procedimento ocorreu em 1º de junho e marca uma nova etapa para a unidade, que passa a atuar de forma autônoma nesse tipo de captação.
Até então, as captações eram feitas com apoio da equipe do Banco de Tecidos Oculares do Hospital João XXIII. O serviço também era concentrado em casos de doadores com diagnóstico de morte encefálica. Com a nova estrutura, o Hospital Célio de Castro passa a ter profissionais habilitados para atuar também em situações de morte por parada cardíaca.
A mudança pode acelerar etapas do processo de doação e ampliar o número de córneas disponíveis para transplante. Segundo a unidade, três enfermeiros foram capacitados para realizar a enucleação, procedimento cirúrgico de retirada do globo ocular do doador.
Após a captação, é utilizada uma prótese de reconstrução para preservar a aparência da pessoa doadora. O procedimento ocorre após autorização familiar e é conduzido pela equipe multiprofissional responsável pela doação de órgãos e tecidos para transplante.
Com a organização do serviço, o Hospital Célio de Castro já havia contribuído, em 2026, para a captação de 22 córneas por meio do Banco de Tecidos Oculares do Hospital João XXIII. Desse total, 20 foram em casos de parada cardíaca e duas em situações de morte encefálica.
Depois da primeira captação autônoma, o número chegou a 24 córneas captadas neste ano pela unidade. A ampliação ocorre em um cenário de espera prolongada por transplantes de córnea no país.
Antes da pandemia de Covid-19, o tempo de espera por um transplante de córnea variava entre um e três meses, conforme informações divulgadas pelo hospital. Com a suspensão de captações durante a emergência sanitária, a fila cresceu, e a espera atual pode ultrapassar três anos.
A abordagem às famílias é feita pela Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante. A equipe apresenta a possibilidade de doação, oferece suporte no momento de luto e respeita a decisão dos familiares.
O hospital informou que a autonomia na captação deve fortalecer a participação da unidade na rede de transplantes. A continuidade do serviço dependerá da identificação de doadores, da autorização das famílias e dos critérios técnicos exigidos para cada procedimento.




