Após crise de abastecimento em 2025, Saae cria plano para enfrentar estiagem em Itabira; saiba mais

Entre as medidas adotadas está o acompanhamento contínuo dos níveis de água e a instalação de uma captação alternativa no Rio de Peixe

Após crise de abastecimento em 2025, Saae cria plano para enfrentar estiagem em Itabira; saiba mais
ETA Pureza, principal manancial de Itabira – Foto: Divulgação/Saae Itabira
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O Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) de Itabira adotou um plano específico para enfrentar períodos de estiagem e reduzir os riscos de desabastecimento no município. A estratégia foi apresentada pelo diretor-presidente da autarquia, Valdeci Fernandes, durante prestação de contas na Câmara de Itabira, na terça-feira (27).

Segundo Valdeci, a medida foi elaborada depois de um período considerado crítico no ano passado, onde de julho a novembro, Itabira enfrentou uma longa sequência de pouca chuva, com impactos sobre os mananciais e o abastecimento de diversos bairros.

O plano integra o planejamento de emergência e contingência do Saae e estabelece procedimentos para atuação durante os períodos de seca, incluindo níveis de resposta, critérios de monitoramento e responsabilidades das equipes. A intenção, de acordo com o diretor-presidente, é permitir que a autarquia antecipe decisões conforme as condições dos mananciais e do sistema de abastecimento.

Entre as medidas adotadas está o acompanhamento contínuo dos níveis de água. Equipes do Saae passaram a verificar periodicamente as condições dos mananciais e dos reservatórios, avaliando a disponibilidade hídrica e a necessidade de adoção de medidas preventivas. O monitoramento também é utilizado para orientar decisões operacionais e identificar com antecedência possíveis situações de risco.

Valdeci afirmou que, quando as condições dos mananciais atingem níveis considerados críticos, o Saae emite boletins operacionais com informações sobre a disponibilidade de água, a situação dos sistemas e eventuais alterações no abastecimento, incluindo manobras na rede. Os comunicados são divulgados pelos canais oficiais da autarquia e pela imprensa local.

Captação de emergência pode acrescentar 60 litros por segundo 

Uma das principais medidas de contingência foi a instalação de uma captação alternativa no Rio de Peixe, na região do bairro Ribeira de Cima. A estrutura começou a ser preparada em julho e permanece em condição de prontidão para ser acionada caso seja necessário reforçar o abastecimento.

De acordo com Valdeci, o sistema chegou a funcionar durante um período de baixa nos mananciais em julho. Quando acionado, ele pode acrescentar 60 litros de água por segundo ao sistema. A água percorre cerca de 3,6 quilômetros até a Estação de Tratamento de Água (ETA) Pureza, onde passa pelo tratamento antes de ser distribuída.

A ETA Pureza atende mais de 60 bairros de Itabira e, segundo o diretor-presidente, é uma das estruturas mais vulneráveis durante períodos prolongados de seca. Ele citou como exemplo os meses de outubro e novembro do ano passado, quando a situação chegou a um nível crítico. Na ocasião, a alternativa foi utilizar água captada no Rio de Peixe e realizar rodízios no abastecimento dos bairros.

“Esse ano ainda não foi preciso fazer isso, graças a Deus. Se necessário, poderá funcionar”, disse Valdeci. A previsão inicial é que a captação opere por 12 horas, mas o sistema pode funcionar durante 24 horas, caso as condições exigirem.

SAAE aposta em redução de perdas

Além das ações emergenciais, o SAAE implantou neste ano dez pontos de monitoramento da pressão da água na rede de abastecimento. A tecnologia permite acompanhar o comportamento do sistema e identificar alterações que possam indicar problemas.

Segundo Valdeci, os equipamentos já ajudaram a localizar vazamentos ocultos em alguns pontos da cidade. A lógica é identificar regiões onde a pressão apresenta comportamento anormal e, a partir dessas informações, direcionar as equipes para investigar possíveis perdas.

“Hoje, esse ano, nós implantamos, e nós vamos ampliar mais ainda. Acabou de chegar mais alguns equipamentos, onde nós vamos estar ampliando esses equipamentos na maior parte da cidade, para a gente ter um controle rigoroso disso aí, para diminuir a perda na cidade”, afirmou.

A expectativa é que a ampliação do monitoramento permita reduzir o volume de água perdido no sistema e, consequentemente, aumentar a disponibilidade para os consumidores. “Quanto mais a gente diminuir a perda na cidade, mais água será fornecida para essa nova população”, explicou.

Uso consciente

O plano também prevê ações de comunicação e educação ambiental para estimular o consumo racional de água, especialmente durante períodos de calor intenso e estiagem.

Segundo Valdeci, o SAAE tem utilizado panfletos, ações de educação ambiental e entrevistas em rádios para orientar a população sobre medidas simples, como a utilização de boias adequadas em caixas-d’água, correção de válvulas com vazamento e conserto de torneiras que ficam pingando.

Valdeci também pediu que os moradores comuniquem rapidamente vazamentos identificados nas ruas para que as equipes possam atuar com maior velocidade. Para o diretor-presidente, a participação da população contribuiu para reduzir os impactos do período de racionamento enfrentado anteriormente.

“Não só no acionamento, como também se a população puder continuar agindo dessa forma, vendo sempre que tem algum vazamento em casa, é bom. E avisando nós também, quando tiver qualquer tipo de vazamento que apareça na rua, para a gente ter uma capacidade de resposta rápida”, afirmou.