Flitabira debate inclusão e direitos de pessoas com deficiência
Mesa “Poesia e deficiência” debateu os desafios da inclusão e a garantia de direitos para pessoas com deficiência

O Festival Literário Internacional de Itabira (Flitabira) promoveu, nesta quinta-feira (29), a mesa de discussão “Poesia e deficiência”, no Teatro da Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade (FCCDA). O encontro reuniu experiênci para discutir direitos, inclusão e os desafios enfrentados por pessoas com deficiência e outros grupos que necessitam de maior reconhecimento e proteção.
Participaram do debate o advogado e mestre em Direito Tiago Bretas, transplantado cardíaco desde 2015, e Lílian Barros Pereira Campos, doutora em Administração e professora da Universidade Federal de Itajubá (Unifei), campus Itabira e mãe de uma criança com sindrome de down. A mediação foi conduzida por Luciana Mendonça, que também compartilhou sua vivência como mãe de uma criança com altas habilidades.
Vivência e inclusão
Lílian Barros explicou que o convite para participar da mesa esteve relacionado à experiência como mãe de João Pedro, de sete anos, que tem síndrome de Down. Durante a discussão, ela relacionou o tema à obra A Máquina do Mundo, de Carlos Drummond de Andrade, tema do festival, e à necessidade de reconhecer os limites das explicações sobre a realidade humana.
“Não existe uma máquina que dá toda a explicação do mundo”, afirmou.
Para ela, as experiências individuais permitem ampliar a compreensão sobre a síndrome de Down e outras deficiências. Lílian destacou que cada pessoa compartilha conhecimentos a partir da própria vivência, contribuindo para a construção de uma sociedade mais inclusiva.
“Existe a vivência de cada um e na vivência de cada um a gente aprende, compartilha o que pode ser essa explicação”, disse.
A professora também ressaltou que a busca por uma vida plena deve contemplar todas as pessoas, incluindo aquelas com deficiência.
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Direitos das pessoas transplantadas
Tiago Bretas abordou as dificuldades enfrentadas por pessoas transplantadas, especialmente em relação ao reconhecimento de seus direitos. Transplantado cardíaco há 11 anos, ele afirmou que esse grupo não está incluído no Estatuto da Pessoa com Deficiência e defendeu o reconhecimento legal dessa condição.
“O transplantado não é parte das pessoas com deficiência. Então, ele não tem nenhum direito do Estatuto da Pessoa com Deficiência, e ele não tem nenhuma lei voltada para ele”, declarou.
Segundo Tiago, essa situação deixa as pessoas transplantadas sem uma legislação específica de proteção. Ele explicou que o Projeto de Lei 4.613/2020 trata do tema, mas, conforme seu relato durante o encontro, não apresenta avanços desde 2024.
A discussão também abordou a importância do Sistema Único de Saúde (SUS) para a realização de transplantes e o acompanhamento dos pacientes. Tiago destacou que, mesmo tendo plano de saúde, depende majoritariamente da rede pública para o próprio tratamento.
“Eu, graças a Deus, tenho uma condição boa, eu tenho plano de saúde e meu tratamento é quase 80% feito pelo SUS. Só exames simples que eu faço no particular. Tem exame complexo, é pelo SUS. ”, relatou.
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Superdotação e inclusão
Luciana, mediadora da mesa, destacou a importância de discutir as altas habilidades para esclarecer dúvidas e combater ideias equivocadas sobre a superdotação. Segundo ela, essa condição, isoladamente, não é considerada deficiência, embora possa ocorrer junto a outras condições, como autismo e transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH).
“A superdotação não é uma deficiência”, afirmou.
A mediadora também explicou que pessoas superdotadas não necessariamente apresentam habilidades excepcionais em todas as áreas. O desenvolvimento cognitivo, emocional e sensorial pode ocorrer em ritmos diferentes, o que exige compreensão das particularidades de cada pessoa.
Luciana ainda convidou o público para o evento internacional Flow Mentes Brilhantes Itabira, previsto para os dias 20 e 21 de novembro, com participação da especialista Linda Silverman.
A mesa integrou a programação do Flitabira e reuniu diferentes perspectivas sobre deficiência, saúde e direitos, com destaque para a importância de reconhecer as necessidades de cada pessoa e ampliar o debate sobre inclusão e equidade.
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