Manabi justifica uso de mineroduto para escoamento de produção
Rio Santo Antônio fornecerá a maior quantidade de água ao mineroduto da Manabi
O Estudo de Impacto Ambiental (EIA) da Manabi para o projeto minerário em Morro do Pilar lista diversos argumentos que justificam a opção da empresa pelo uso de mineroduto para escoar a produção da mina até o porto de Linhares (ES). O mineroduto, de mais de 500 km de extensão, deve ser construído por um regime através do qual a empreiteira (ou o investidor) se responsabiliza pelos custos da construção e manutenção do duto, recebendo em troca uma taxa pelo transporte do minério.
O transporte dutoviário pode ocorrer de três formas: oleodutos, minerodutos e gasodutos. De acordo com o documento da empresa, o modelo é considerado um dos mais econômicos e práticos, principalmente para o transporte de grandes quantidades de material. “Por se tratar de uma estrutura linear de uso exclusivo do empreendimento, os minerodutos não agregam os impactos cumulativos que ocorreriam ao longo do seu trajeto, caso o meio de transporte fosse uma ferrovia ou uma rodovia”, defende o relatório.
Quando comparado aos modais rodoviário e ferroviário, as principais vantagens das dutovias são: possibilidade de transportar grandes quantidades de produtos de maneira segura, diminuindo o tráfego de cargas perigosas por caminhões, trens ou por navios; condições de simplificar carga e descarga; redução de custos de transportes; redução de perdas ou roubos; menos emissão de poluentes atmosféricos, ruídos e vibrações durante a operação; baixo consumo de energia, etc. Por estas e outras vantagens, a empresa optou pelo duto subterrâneo para escoar o minério morrense, que será destinado ao mercado externo.
Água
Para colocar o sistema em funcionamento, portanto, a Manabi precisa de água. As fontes serão os rios Preto e Santo Antônio. A mineradora já conseguiu as outorgas (licenças que autorizam a captação de água), que juntas somam uma vazão de 819 litros por segundo (l/s), sendo 718 l/s no rio Santo Antônio e 101 l/s no rio Preto. As autorizações foram concedidas pelo Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam) em 2011 e valem até janeiro de 2016. As captações, além de alimentar o mineroduto, devem servir também às usinas de beneficiamento do minério.
O Estudo de Impacto Ambiental da Manabi leva em consideração também outras atividades que vão utilizar dos recursos hídricos da bacia do Santo Antônio. Entre elas estão as Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs), que têm gerado discussão, principalmente em Ferros.
Na última audiência pública sobre a implementação de uma destas PCHs, a presidente da Associação de Defesa e Desenvolvimento Ambiental de Ferros (Addaf), Tereza Cristina Almeida Silveira, a Tininha, usou seu espaço para levantar uma série de questionamentos. “Existem inúmeros projetos previstos para esta bacia, como 22 PCHs e outros tantos minerodutos, sem que haja, contudo, uma avaliação dos impactos ambientais gerados por esses empreendimentos de forma conjunta. Isso é um absurdo”, reclamou a ambientalista, criticando principalmente a postura do Estado.