O futuro é agora

Indiscutivelmente, o foco dos investimentos é o setor minerário

O futuro é agora

 

As últimas duas décadas serviram para mostrar o caminho. Com base em números, projeções e estimativas, é possível dizer que os próximos 20 anos têm tudo para ser ainda melhores. Seja na área da mineração ou da indústria, grandes investimentos inspiram confiança em cidades como São Gonçalo do Rio Abaixo, Conceição do Mato Dentro, Morro do Pilar, Itabira e Santa Maria de Itabira. Os gestores que assumiram as prefeituras em janeiro deste ano têm todas as condições de escrever novos capítulos em uma história de muito sucesso.
 
Indiscutivelmente, o foco principal é o setor minerário. Segundo relatório do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), o segmento deve receber US$ 68,5 bilhões de investimentos no Brasil, considerando o período entre 2011 e 2015. Deste montante, US$ 45 bilhões são em explorações de minério de ferro. O restante se divide em alumínio, níquel, fosfato, cobre, ouro, potássio, manganês, nióbio, zinco, calcário, vanádio, carvão e cromita.
 
Minas Gerais tem uma participação expressiva nos investimentos previstos: US$ 25 bilhões, dos quais US$ 20 bilhões são destinados às explorações de minério de ferro. Ainda segundo relatório do Ibram, em 2011 o estado mineiro contribuiu com metade da Produção Mineral do Brasil, que chegou a US$ 50 bilhões. A participação de Itabira, São Gonçalo do Rio Abaixo e outras cidades mineradoras foi decisiva para o alcance de tais resultados.
 
Interior
Destas cifras bilionárias, boa parte será destinada à abertura de lavras em jazidas nunca antes desbravadas em Morro do Pilar. A pequena e modesta cidade localizada no circuito turístico Serra do Cipó é a “menina dos olhos” da mineradora Manabi. A empresa vai investir US$ 3,4 bilhões no projeto denominado Morro do Pilar para produzir minério de ferro destinado à exportação. 
 
Tão logo começaram as primeiras sondagens, o projeto despertou o interesse de muitos empresários e investidores do Brasil inteiro. A prefeita Vilma Diniz (PTC), empossada no dia 1º de janeiro, assumiu a administração com um grande desafio: colocar a casa em ordem para aproveitar os benefícios da exploração e anular o máximo possível seus efeitos indesejados. Antes mesmo de tomar posse, Vilma se reuniu com diretores da Manabi para discutir as contrapartidas. “Vamos receber o segundo maior investimento em mineração no Brasil e precisamos estar preparados para essa nova era em Morro do Pilar”, afirma.
 
Mais adiantada nessa jornada está Conceição do Mato Dentro, berço do projeto Minas-Rio. Cidade histórica e com um passado marcado pela vocação educacional, Conceição vive um boom econômico. As engrenagens do maior projeto mundial da Anglo American ainda não começou a rodar, mas o ciclo virtuoso da economia sim. De geração de emprego a diversas oportunidades de negócios, o projeto vem mudando a vida dos conceicionenses.
 
O prefeito Reinaldo César de Lima Guimarães, o Reinaldinho (PMDB), foi reeleito para o cargo e também tem muito trabalho pela frente. Nesta nova gestão, o chefe do Executivo quer se cercar de profissionais gabaritados – inclusive no setor de mineração – para planejar bem a cidade e aplicar com eficiência os recursos dos royalties, visando garantir qualidade de vida aos cidadãos.
 
Conceição do Mato Dentro está dentro do Plano Regional Estratégico do governo do estado, exatamente por ser sede do Minas-Rio. O “manual de instrução” para os gestores municipais ajudará a mitigar os impactos socioeconômicos inevitáveis decorrentes da atividade exploratória. A princípio, duas regiões mineiras (Norte e Médio Espinhaço) serão atendidas. No Norte serão contemplados os municípios de Janaúba, Salinas e Grão Mogol. No Médio Espinhaço, o foco é Conceição do Mato Dentro. A Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) já foi autorizada a elaborar o estudo, que deve ficar pronto ainda este ano.
 
Reinaldinho afirma que a iniciativa, ainda que tardia, é muito bem-vinda. Segundo ele, quando foi convidado pela Secretaria Estadual de Desenvolvimento Regional e Política Urbana (Sedru), ainda antes das eleições, pediu à Associação dos Municípios da Microrregião do Médio Espinhaço (Amme) para avisar os demais prefeitos. O objetivo era reunir todos os chefes municipais e pensar em propostas a serem levadas ao Estado nas primeiras reuniões sobre o projeto. “Precisamos de ajuda em tudo: saúde, educação, estradas vicinais, infraestrutrua, saneamento básico, entre outros. O impacto social é maior que o ambiental”, afirma.
 
Diversificação
Veterana no assunto, Itabira convive com a mineração há 70 anos. A cidade do ferro, berço da Vale, ainda depende muito da atividade para manter sua estrutura em funcionamento, entretanto, busca novos caminhos. Durante sete décadas houve previsões do fim das operações por mais de uma vez, mas as projeções foram redesenhadas e os trens continuam a descer carregados pela Estrada de Ferro Vitória Minas (EFVM).
 
Demorou, mas a cidade de Drummond está mudando. Se antes todo itabirano nascia quase que predestinado a trabalhar na Vale, hoje não mais. Se antes Itabira era apenas uma cidade mineradora, agora está em busca de outro título. Todas as expectativas de um futuro diferente, diversificado economicamente e menos dependente de uma única atividade, estão depositadas na Universidade Federal de Itajubá (Unifei). O complexo universitário, que está em fase de implantação, transformará Itabira em cidade tecnológica.
 
A Unifei não significa oportunidades apenas para formação superior de estudantes que vêm de todo o Brasil. É muito mais que isso. À Unifei foi atribuída a função de produzir conhecimento científico e tecnológico de alto nível para atender demandas de empresas do país inteiro. E mais: através de incubadoras e outras instituições, a universidade terá condições de fomentar a criação de novos negócios baseados em pesquisas desenvolvidas dentro do campus, aumentando a receita, o emprego de qualidade e a renda em toda região. Resolvidos alguns gargalos na infraestrutura, como estradas, aeroporto, abastecimento de água e distritos industriais, o futuro estará garantido.
 
Dentro do contexto diversificação, São Gonçalo do Rio Abaixo é um bom exemplo a ser seguido. A cidade não esperou décadas para se organizar e disponibilizou logo dois distritos industriais, incentivos fiscais e equipes para atender bem os empresários. São Gonçalo tem também outro privilégio: está às margens da BR-381, que embora seja considerada a rodovia da morte pelos motivos que todos conhecem, tem boas perspectivas quanto à duplicação. Com todos os poréns, a rodovia consegue escoar bem uma produção industrial de grande porte.
 
Em dezembro passado, o então prefeito são-gonçalense Raimundo Nonato Barcelos, o Nozinho (PDT), assinou contrato de concessão de terreno com mais três empresas que se instalarão nos distritos industriais. Até agora, 15 companhias finalizaram parceria para operar na cidade. Em outra frente, o município prepara investimentos em educação – assim como Itabira. Antes de deixar a administração sob os cuidados de seu sucessor, Antônio Carlos, Nozinho assinou um protocolo de intenções com a Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop).
 
Vizinhas, Santa Bárbara, Catas Altas e Barão de Cocais mesclam atividades exploratórias e industriais. Barão de Cocais – apesar da preocupante notícia de fechamento da mina de Gongo Soco – tem como âncoras a Gerdau (siderurgia) e a Vale (mineração). Em Santa Bárbara, há o projeto Apolo, travado devido à criação do parque nacional da Serra do Gandarela. Contudo, têm peso econômico as mineradoras menores, como: Ferro Puro (investimento de R$ 40 milhões para exploração de minério de ferro); Pedreira Um, (R$ 45 milhões – brita); Msol (R$ 25 milhões – ouro) entre outras.
 
Em Catas Altas, o destaque é a Mina Fazendão, que elevou o PIB da cidade em mais de 300% em 2010. O projeto tem capacidade de produzir 17 milhões de toneladas/ano, mas ainda está na casa de 10 milhões, de acordo com o prefeito reeleito Saulo de Castro (PT). O PIB da cidade vai ficar ainda mais significativo quando a mineradora fizer a expansão das cavas e o empreendimento atingir sua capacidade total.
 
Se o apetite chinês continuar voraz, a Europa e os Estados Unidos vencerem a crise e o governo brasileiro resolver investir em infraestrutura para melhorar as condições logísticas do país, será possível dizer com certeza: os próximos 20 anos serão muito melhores.