Berço do projeto Minas-Rio, da Anglo American, Conceição do Mato Dentro vai receber mais investimentos minerários nos próximos anos. Em entrevista a DeFato, edição especial de 20 anos, o vice-governador de Minas Gerais, Alberto Pinto Coelho, afirmou que a Vale tem termos de compromisso assinados com o Estado para investir na região do Médio Espinhaço – especula-se que a partir de 2015/2016.
Procurada, a mineradora confirmou, sem detalhes, que tem prospecções em andamento em Conceição. “A Vale mantém várias pesquisas em andamento no Estado, inclusive na região mencionada. Não há, porém, nenhum projeto operacional previsto neste momento”, diz a nota.
O prefeito da cidade, Reinaldo César de Lima Guimarães, o Reinaldinho (PMDB), afirmou que ainda há poucas informações sobre as sondagens da Vale, mas disse que a empresa vem adquirindo propriedades ao redor da área onde detém reservas minerais. “A Vale declara que está em fase de estudos. Sabemos que desde a década de 1970 toda a região é estudada”, afirma o secretário de Meio Ambiente, Sandro Heleno.
Pedidos de licenciamento junto aos governos municipal, estadual e federal também estariam sendo feitos. Segundo Sandro, a reserva mineral da Vale fica no complexo Serpentina, que faz divisa com a jazida adquirida pela Anglo American – que também já foi da Vale.
Carlos Eduardo, diretor da ONG Sociedade Amigos do Tabuleiro, participa sempre de reuniões sobre o assunto e se mantém informado a respeito de projetos previstos para Conceição do Mato Dentro. Ele afirma que a empresa já pediu, inclusive, outorga (licença de captação) ao Igam para retirar água do rio Santo Antônio. Carlos contou também que o escoamento da produção pode ser feito por mineroduto até um porto seco. As informações, contudo, não são confirmadas pela mineradora.
A reserva mineral da Vale em Conceição do Mato Dentro é grande. O teor de ferro do material a ser explorado também é alto: acima dos 60%. Segundo fontes ligadas ao setor, a empresa já teve intenções de explorar as reservas do complexo Serpentina, mas decidiu retardar o projeto devido à logística. Como outras minas foram abertas (Brucutu, em São Gonçalo do Rio Abaixo, por exemplo), a empresa teria deixado a área reservada para uma ocasião mais propícia.