Temos 70 anos até o minério acabar, diz reitor sobre diversificação econômica de Itabira
Secretário estadual Fábio Veras, presidente da Fiemg Luciano Araújo, e reitor Renato Nunes
O reitor da Universidade Federal de Itajubá (Unifei), professor Renato de Aquino Faria Nunes, disse que há prazo para Itabira concretizar a sua tão discutida diversificação econômica. Durante entrevista à imprensa sobre o Seminário de Desenvolvimento Empresarial – Agenda de Convergência de Itabira e Região, realizado pela Fiemg nessa quarta-feira, 14, o professor afirmou que as autoridades, sobretudo a universidade, têm um prazo de 70 anos até a mineração acabar.
“O desafio que nos foi colocado desde a origem é que, quando acabar o minério de ferro, o que vai acontecer? Um imenso desastre. Uma das principais funções da Unifei em Itabira é ajudar a montar uma estrutura que seja capaz de substituir a economia do extrativismo”, disse.
A Unifei foi uma das convidadas para o seminário que visa exatamente tratar da integração das organizações empresariais que buscam o desenvolvimento eficiente. De acordo com o presidente da Fiemg Regional Vale do Aço, Luciano Araújo, a ideia é buscar o foco. “Temos diversas entidades, várias lideranças, cada uma buscando um objetivo diferente. O que queremos é juntar todos em busca de um único objetivo, para que possamos conseguir resultados mais rápidos”, explicou.
Itabira, de acordo com o professor Renato Nunes, tem o privilégio de ter a Unifei, que é um importante agente de desenvolvimento econômico. A principal intenção da universidade é exatamente gerar conhecimento para o meio empresarial. “Temos um longo caminho e precisamos ir rápido, porque tem também o curto prazo. Se não planejarmos, 70 anos é amanhã”, ponderou, em seguida, o reitor.
Plantar a semente
Luciano afirmou que agora é o momento de plantar a semente e repensar o modelo de negócio para a região. “O que podemos fazer além da Vale?”, questionou. Em comparação, citou o exemplo do Vale do Aço, cujo carro-chefe da economia é a siderurgia. Assim como em Itabira, com a mineração, se o segmento vai bem a economia vai junto, mas se há uma crise no setor o efeito cascata traz resultados catastróficos – por aqui já houve exemplo claro, com a crise de 2008.
Ao buscar independência do setor siderúrgico, a região do Vale do Aço tem se destacado nos setores naval e petróleo e gás. “Tivemos a grata surpresa de aparecer negócios com excelentes perspectivas”, reafirmou Luciano. Itabira ainda vai precisar vencer alguns obstáculos, mas “tem a faca e o queijo na mão”, segundo o secretário de Estado Adjunto de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais, Fábio Veras.